O dirigente socialista António Costa defendeu esta quarta-feira que a consolidação orçamental é uma questão «instrumental» e de médio prazo do país, contrapondo que os problemas cruciais residem na falta de competitividade desde o início do século.

António Costa, candidato socialista nas eleições primárias socialistas de 28 de setembro, falava em conferência de imprensa na sede nacional do PS, na qual apresentou a sua proposta de "Agenda para a década" para Portugal.

Interrogado sobre as questões do peso da dívida em Portugal e sobre o cumprimento das metas de consolidação orçamental, o presidente da Câmara de Lisboa sustentou que o país «tem de concentrar-se nas opções para a resolução dos problemas estruturais» que acompanham Portugal desde o final da década de 90, «afetando o seu desenvolvimento e a convergência com a União Europeia».

«Não podemos viver sempre só limitados ao dia de amanhã e à resolução dos problemas imediatos, ou a confundir as causas e as consequências dos problemas. O essencial é uma visão de futuro sobre os problemas estruturais, porque nenhum país se pode mobilizar sem uma visão de futuro», advogou.

Assim, segundo António Costa, a par de um programa de curto prazo e de legislatura - em parte em torno da gestão orçamental e que constará tanto na moção de estratégia a apresentar até 15 de agosto, como no seu eventual futuro programa eleitoral do PS -, terá de ser feita «a discussão que falta sobre a agenda para a década».

A agenda para a década - frisou - será a «base para uma visão estratégica para o país» e, igualmente, «base de suporte para os compromissos políticos e para um acordo de concertação estratégica».

«Há quem entenda que o problema começou na dívida, mas eu entendo que o problema começou na falta de competitividade da nossa economia e na dificuldade que o país tem sentido em adaptar-se ao triplo choque competitivo que constituiu a entrada no euro, a nova era da globalização e com o alargamento da Europa a leste. É atacando os problemas estruturais da economia que será possível recuperar competitividade, convergir com a União Europeia e consolidar de forma sustentada as finanças públicas», defendeu.

Ou seja, para António Costa, a questão da consolidação orçamental «é instrumental e não estratégica para o futuro do país».

«O que é estratégico para o futuro do país é a resolução dos seus problemas estruturais. É no quadro da resolução dos problemas estruturais que se conseguirá resolver a questão da estabilização orçamental. Essa é uma questão de curto e médio prazo, mas não estratégica que tenha lugar na agenda da década», completou.

Questionado se o peso do Estado não afeta a competitividade nacional, o presidente da Câmara de Lisboa apresentou outra leitura da questão: «Importa é saber qual o papel do Estado na modernização».

«O mau Estado é certamente um limite, mas o bom Estado, que promove o desenvolvimento, é certamente positivo», acrescentou.