O primeiro-ministro defendeu esta segunda-feira que os 27 Estados-membros da União Europeia estão unidos no processo negocial para a saída do Reino Unido, mas frisou que é preciso uma reforma da União Económica Monetária para "salvar o euro".

Estas posições foram defendidas por António Costa perante uma plateia de professores e alunos da Universidade Argentina da Empresa (UADE), de Buenos Aires, numa conferência sobre o futuro da Europa.

Na plateia, a principal dúvida era se a União Europeia não se estará a desagregar com a decisão do Reino Unido de sair deste espaço comum político. Mas o líder do executivo nacional respondeu com um não, apesar de defender a urgência de reformas sobretudo ao nível da União Económica e Monetária.

De acordo com António Costa, "não há dúvida de que a decisão do Reino Unido de abandonar a União Europeia resultou numa urgência de reflexão sobre o melhor modelo para o futuro da Europa".

A resposta da Europa foi muito positiva, numa demonstração de força e unidade: Os 27 Estados-membros querem que a União Europeia continue a ser um marco comum de cooperação na Europa e querem-na mais forte e unida", sustentou.

Em relação ao processo negocial para o Brexit, o primeiro-ministro também se congratulou com o facto de haver unanimidade em relação ao mandato da Comissão Europeia.

"Esperamos agora, somente, a formação do novo Governo do Reino Unido", disse.

Já no último grupo de perguntas, António Costa afastou também a possibilidade de as relações históricas entre Portugal e o Reino Unido serem afetadas.

Queremos que o Reino Unido seja o nosso aliado mais próximo na segurança, na defesa e também no plano mercantil. Temos de encontrar um acordo que garanta os direitos dos cidadãos britânicos residentes na Europa e dos europeus que estão a viver no Reino Unido", salientou.

Tanto na intervenção inicial, como no período de resposta a perguntas, o primeiro-ministro português falou na necessidade de reformar a arquitetura do euro, partindo da experiência portuguesa após a crise financeira de 2008.

"Esta experiência teve efeitos graves especialmente prejudiciais para a economia e para as condições de vida dos cidadãos", afirmou, condenando, depois, as "assimetrias" entre países que, na sua perspetiva, deixam o euro mais vulnerável.

A seguir, António Costa considerou que Portugal está agora a sair dessa crise, "através da aplicação de medidas de crescimento económico, prestando a devida atenção ao impacto social".

Temos cumprido as normas orçamentais europeias, com a consolidação das nossas finanças públicas, ao mesmo tempo que iniciámos uma trajetória sustentável de redução da dívida pública e estabilizámos o sistema financeiro", advogou.

Na sequência destes resultados, completou António Costa, "a Comissão Europeia já propôs a saída de Portugal do Procedimento por Défice Excessivo" (PDE).

"Com esta sua experiência, Portugal pretende agora insistir que se prossiga com a reforma da zona euro. Esta reforma é indispensável para que haja uma União Monetária estável que propicie o crescimento a todos os Estados-membros e uma prosperidade partilhada. As crises financeiras e das dívidas soberanas ensinaram-nos que as assimetrias e os desequilíbrios entre Estados-membros reduzem o crescimento potencial e abalam a estabilidade da moeda única", acrescentou.