O primeiro-ministro defendeu este domingo que Portugal precisa de "consensos alargados sobre os grandes desafios", apontando como exemplo a qualificação dos portugueses como base para a competitividade, e considerou que é preciso dar tempo ao PSD.

António Costa assumiu esta posição em declarações aos jornalistas, no último dia de uma visita a Paris em conjunto com o chefe de Estado, Marcelo Rebelo de Sousa, depois de considerar que existe "uma grande unidade na defesa dos interesses nacionais" entre Governo e Presidente da República.

Questionado sobre a relação com o PSD, respondeu: "Eu acho que é preciso dar tempo e também respeitar as diferenças dos outros. E acho que temos de conseguir ir superando e vencendo essas diferenças".

"O país viveu aqui momentos de alguma tensão. Acho que hoje estão superados, e estou certo de que também o PSD se saberá juntar a esse movimento, que é um movimento que todo o país deseja, de nos concentrarmos nos desafios do futuro", acrescentou.

António Costa disse que "o caminho faz-se caminhando" e salientou que, em relação à recusa de sanções europeias por défice excessivo, foi possível haver no parlamento "uma unanimidade naquilo que importava, que era a parte conclusiva".

Por outro lado, o primeiro-ministro realçou que "mais de 50 propostas apresentadas pelo PSD foram votadas favoravelmente e incorporadas no Programa Nacional de Reformas".

"Tanto quanto sei, está a correr bem o diálogo para passar as designações que têm de ser feitas na Assembleia da República por dois terços", referiu, concluindo: "Portanto, eu acho que não há nenhuma razão para haver pessimismo quanto às possibilidades de haver entendimentos sobre temas que requerem consensos entre todos".

"Conto que seja possível irmos construindo os consensos o mais alargados possível para metas que têm de ser continuadas para além das maiorias e das legislaturas", reforçou.

Segundo o primeiro-ministro deve haver "consensos alargados para os grandes desafios", como a defesa de "um modelo de crescimento assente, não nos baixos salários, mas na qualificação e inovação".

"Continuar a investir na cultura, na ciência, que é aquilo que nos permite sermos competitivos com base na qualificação. Acho que esse grande consenso é muito importante que exista. Existe com o Presidente da República e estou certo que através dele ajudaremos a construir um maior consenso nacional", acrescentou.

Interrogado sobre a possibilidade de entendimentos na educação, respondeu: "Eu acho que os consensos se vão construindo e se vão refazendo. E o grande consenso que há a fazer é cumprir a Lei de Bases do Sistema Educativo. É isso que estamos a fazer e acho que no essencial há um enorme consenso".

Depois, defendeu que "em matéria de educação há um espaço de enorme consenso quanto aos objetivos principais", como "o objetivo de tornar o pré-escolar universal para todas as crianças entre o três e os cinco anos, o retomar a educação de adultos e a formação ao longo da vida como algo essencial".

António Costa ressalvou, contudo, que "uma coisa é haver consensos sobre objetivos estratégicos, outra coisa é aquilo que faz parte da normalidade da vida democrática, e que é mesmo o sal da democracia, que é haver alternativas".