O secretário-geral do PS voltou esta sexta-feira ao tema dos refugiados para sustentar que nem todos são cientistas e que o acolhimento tem de ser prestado em condições dignas e não numa lógica de caridade.

António Costa falava aos jornalistas em Pombal, na segunda paragem do seu percurso de comboio que o levará ao final da tarde ao Porto, depois de confrontado com a polémica gerada pela sua sugestão de se poder colocar alguns refugiados em zonas em risco de desertificação no território nacional, designadamente em áreas florestais.

"A política de apoio aos refugiados não é a política de caridade, abrindo-se fronteiras para se colocar pessoas em campos de refugiados e dando um prato para as pessoas se alimentarem. É preciso dar novas oportunidades de vida", reagiu.


Depois, António Costa dirigiu-se ao grupo de jornalistas que tinha à sua volta para lhes perguntar se já tinham visitado campos de refugiados, adiantando logo a seguir que, pessoalmente, já os visitara em Ceuta e Melila (Espanha) e na Jordânia (um campo com 300 mil cidadãos).

"Na Europa, temos de honrar os nossos valores, acolhendo os refugiados e dando-lhes novas oportunidades", apontou, antes de fazer um elogio à ação do antigo presidente da República Jorge Sampaio em relação ao acolhimento de estudantes sírios.

"Mas nem todos os refugiados têm estudos superiores, nem todos são cientistas e eu também não aceito esta ideia de que a Europa só deve estar aberta para os altamente qualificados. Tem de estar aberta para todos, incluindo para aqueles que viviam no mundo rural. Se queremos dar oportunidades de uma nova vida em Portugal, temos que procurar de forma inteligente quais as melhores formas de integração", advogou ainda o líder socialista.


António Costa referiu-se depois à conjuntura nacional marcada pela emigração de muitos quadros superiores portugueses, lamentando que haja neste momento "pouco emprego qualificado para oferecer".

"Nem para os nossos", salientou.


Sobre a sua sugestão de trabalho dos refugiados no setor florestal, Costa referiu que, "infelizmente, no país, não faltam terras ao abandono".

"Não se trata de trabalhos forçados, não é obrigar alguém a fazer um trabalho para o qual não tem vocação. Mas alguém julga que os refugiados são só altos quadros científicos? E não são só sírios", observou ainda o secretário-geral do PS.