O secretário-geral do PS manifestou-se esta sexta-feira convicto de que a alteração da medida de coação aplicada ao ex-primeiro-ministro socialista José Sócrates não irá influenciar o resultado das eleições legislativas de 04 de outubro.

“São dois processos que correrão em paralelo. As pessoas determinarão o seu sentido de voto, assim como a justiça determinará a sua função e o eng. José Sócrates determinará a sua defesa”, sustentou António Costa, em declarações à Sic-Notícias, em Braga.


O líder socialista recordou que tem mantido “uma regra fundamental”, de não comentar decisões judiciais, e garantiu que não iria abrir qualquer exceção.

“Tenho mantido uma regra fundamental, que é não comentar decisões judiciais, e não vou abrir nenhuma exceção relativamente ao momento que estamos a viver”, salientou.

Confrontado pelo jornalista com a influência que poderá ter a prisão domiciliária de Sócrates na campanha eleitoral para as legislativas de 04 de outubro, António Costa mostrou-se convicto de que os eleitores saberão distinguir os planos, apesar de o processo que envolve o ex-primeiro-ministro ter “uma relevância mediática grande”.

O secretário-geral do PS voltou a defender a necessidade de “aguardar que a justiça exerça a sua função”, que os cidadãos façam as suas escolhas eleitorais e que se mantenha a “presunção de inocência” de José Sócrates.

José Sócrates foi detido a 21 de novembro de 2014, no aeroporto de Lisboa, indiciado por fraude fiscal qualificada, branqueamento de capitais e corrupção passiva para ato ilícito, sendo o único dos nove arguidos da “Operação Marquês” em prisão preventiva.

O empresário Carlos Santos Silva, o administrador do grupo Lena Joaquim Barroca, o ex-motorista de Sócrates João Perna, o administrador da farmacêutica Octapharma Paulo Lalanda de Castro, a mulher de Carlos Santos Silva, Inês do Rosário, o advogado Gonçalo Trindade Ferreira, o presidente da empresa que gere o empreendimento de Vale do Lobo, Diogo Gaspar Ferreira e o ex-ministro Armando Vara são os outros arguidos no processo.

O ex-primeiro-ministro, 58 anos, que esteve em prisão preventiva 288 dias, desde 25 de novembro de 2014, foi hoje colocado em prisão domiciliária numa casa em Lisboa.