O secretário-geral do PS criticou esta quinta-feira uma privatização da TAP que deixe o Estado em posição minoritária e contrapôs a possibilidade de se captar em bolsa capitais privados, mantendo o Estado o controlo da empresa.

António Costa falava aos jornalistas após ter estado reunido com o primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, em São Bento, depois de interrogado sobre a perspetiva de a TAP entrar em greve quatro dias no final do ano, entre os próximos dias 27 e 30.

O secretário-geral do PS criticou a intenção do Governo de privatizar a maioria do capital da transportadora aérea nacional: «É perigoso para o futuro pretender resolver um problema imediato de capitalização da empresa sacrificando aquilo que é estratégico para o futuro do país, que é a manutenção do controlo público de uma empresa que é hoje um dos pilares da soberania nacional».

«A soberania nacional não é afirmada simplesmente pela garantia que as Forças Armadas dão sobre a integridade do território nacional. A soberania nacional também é assegurada pela capacidade que o país tem de se interligar com o mundo - e nessa capacidade a TAP tem um papel absolutamente central», advogou António Costa.


O líder do PS reconheceu que a TAP necessita de reforçar o seu capital, sendo por essa razão necessária uma operação de capitalização.

«Perante as restrições colocadas pela União Europeia ao reforço do capital por parte do Estado, há que encontrar alternativas. Julgamos que no setor público há alternativas e julgamos também que seria possível proceder a um aumento do capital da empresa, através da bolsa, com investimento de capital privado, sem que o Estado perca a posição de controlo fundamental para a empresa», afirmou.


Para António Costa, quem entende que a defesa do interesse público tem de estar acima de tudo, «deve entender que em caso algum o Estado pode perder o controlo da TAP».

Depois, questionado sobre a evolução da comissão parlamentar de inquérito à gestão do BES e do GES, António Costa recusou-se a comentar.

«Essas questões estão a ser tratadas - e bem - na esfera parlamentar», alegou.