Portugal vai ter, pelo menos, "mais cinco meios aéreos até final do mês de outubro " e o apoio de duas aeronaves italianas. Anúncio foi feito esta terça-feira pelo primeiro-ministro, no final da visita que fez aos feridos dos incêndios que devastaram o país nos últimos dias. António Costa esteve em Coimbra e foi questionado pelos jornalistas sobre a ausência de meios aéreos para combate aos fogos. Além de cinco meios aéreos contratados, Portugal irá ter ainda o apoio de duas aeronaves italianas, avançou.

O primeiro-ministro, reiterou ainda que Portugal tem um problema estrutural na floresta e no sistema de prevenção e combate aos incêndios florestais, defendendo que é tempo de “passar das palavras aos atos”.

“Vamos passar das palavras aos atos. Houve o tempo de enfrentar as chamas, houve o tempo de fazer o estudo, agora é o tempo de decidir e de executar”, disse António Costa.

Tudo “concorreu para catástrofes desta dimensão. Tudo concorreu para que as coisas não corressem bem, tudo concorreu certamente para que as coisas corressem pior”, sintetizou o primeiro-ministro.

“Portanto, temos de nos concentrar em resolver os problemas estruturais que existem para resolver, responder às necessidades imediatas”, sustentou António Costa, sublinhando que isso "tem de ser feito em simultâneo" nas diferentes frentes.

Sobre as alterações feitas, no início deste ano, na Autoridade Nacional de Proteção Civil (ANPC), o chefe do Governo disse que “os relatórios [sobre os incêndios de Pedrógão Grande] são claros sobre essa matéria, mas sobretudo a sublinhar que mais do que problemas conjunturais, existe um problema estrutural”.

Problema estrutural “não só na floresta como também no nosso sistema de prevenção e combate” a incêndios florestais, acrescentou.

Agora há que retirar as ilações devidas do estudo que foi feito. Temos agora de passar das palavras aos atos”, salientou o primeiro-ministro.

“Houve um tempo de enfrentar as chamas, houve um tempo de fazer o estudo, agora é o tempo de decidir e de executar” e “esse é o tempo em que estamos e é o que iremos fazer”, assegurou.

Mas, continuou, também é importante “sublinhar aquilo o que de positivo aconteceu, aquilo que de positivo foi feito e, por isso, a visita que hoje foi feita ao Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC), embora esta não tenha sido a única unidade do Serviço Nacional de Saúde (SNS) a “dar uma resposta extraordinária”.

Também o INEM (Instituto Nacional de Emergência Médica) e “o conjunto dos centros de saúde da área da Administração Regional de Saúde do Centro e de outras zonas do país” – exemplificou – deram essa resposta.

“No CHUC, onde estão a maioria dos feridos [dos incêndios de domingo e segunda-feira] internados, quis”, nos seus profissionais, “homenagear todos aqueles que em todo o país fizeram um trabalho extraordinário, muitos deles fora das suas horas de serviço” e respondendo “prontamente” e com “uma capacidade notável” a “uma procura que ninguém poderia esperar naquele domingo à noite”, concluiu.

No CHUC estão internados um total de 31 feridos dos incêndios de domingo e segunda-feira, sete dos quais na Unidade de Queimados (à qual se deslocou hoje António Costa), 16 no Serviço de Cirurgia Plástica e os restantes oito noutros serviços, de acordo com fonte daquele estabelecimento de saúde.

As centenas de incêndios que deflagraram no domingo, o pior dia de fogos do ano segundo as autoridades, provocaram pelo menos 37 mortos e 70 feridos, além de terem obrigado a evacuar localidades, a realojar as populações e a cortar o trânsito em dezenas de estradas.

O primeiro-ministro, António Costa, anunciou que o Governo assinou um despacho de calamidade pública, abrangendo todos os distritos a norte do Tejo, para assegurar a mobilização de mais meios, principalmente a disponibilidade dos bombeiros no combate aos incêndios.

Portugal acionou o Mecanismo Europeu de Proteção Civil e o protocolo com Marrocos, relativos à utilização de meios aéreos.

Esta é a segunda situação mais grave de incêndios com mortos este ano, depois de Pedrógão Grande, na primavera, em que um fogo alastrou a outros municípios e provocou 64 vítimas mortais e mais de 200 feridos.