O primeiro-ministro, António Costa, disse este sábado que começou um novo ciclo político para os próximos quatro anos e que é hora de olhar para o essencial, ou seja, responder aos “bloqueios estruturais” de Portugal.

“Com a aprovação esta semana do Orçamento de Estado (OE) e com a entrada em funções do novo Presidente da República, concluímos e encerramos um primeiro ciclo político da maior importância”, declarou António Costa hoje no Porto, durante a cerimónia inaugural das novas instalações da Ordem dos Contabilistas Certificados (OCC).

O chefe do Governo afirmou que é tempo de olhar para aquilo que é essencial, porque agora Portugal tem os “órgãos de soberania, plenamente instalados e em funções”, com a “estabilidade política do país assegurada para os próximos quatro anos”.

António Costa defendeu que era o Governo quem tinha de “construir as pontes necessária” para haver a “indispensável concertação social” e para que seja possível a mobilização das ações de Governo aos diversos níveis, designadamente “mobilizar a sociedade civil em torno dos grandes desafios”.

Um dos setores que António Costa considera essencial é o da construção civil e informou que no próximo dia 4 de abril vai ser lançado um “conjunto de instrumentos de política centrada na regeneração urbana e na reabilitação.

“É uma dinâmica fundamental, porque é uma política que simultaneamente responde à necessidade que temos de relançar um setor essencial para a nossa economia (…) e dos poucos capazes de absorver, de um modo sustentável, o desemprego de longa duração.”

O primeiro-ministro reconhecia, na terça-feira passada, dia 15, que o OE para 2016 era "particularmente ambicioso", mas que abria caminho à superação de "bloqueios estruturais" do país já identificados por instituições como a Comissão Europeia.

Costa desafia Ordem dos Contabilistas a ajudar a ter Estado mais "eficiente"

Também no Porto, o chefe do Executivo desafiou os associados da Ordem dos Contabilistas Certificados a trabalhar em conjunto com o Governo para se criar um Estado “mais eficiente” e ter empresas mais transparentes e com menos carga burocrática.

“Queria deixar aqui um sinal de confiança nestes profissionais, nesta Ordem [dos Contabilistas Certificados] e deixar o desafio para juntos podermos contribuir para que a carga burocrática sobre as empresas, a transparência e o rigor e a confiança nos seus procedimentos, possam contar cada vez mais com a vossa atividade, contribuindo assim conjuntamente para termos melhores condições, para que cada boa ideia se possa transformar numa melhor empresa e possamos ter um Estado mais eficiente.”

Além de pedir apoio aos contabilistas certificados, António Costa classificou-os de “colaboradores preciosos”.

“São colaboradores preciosos para podermos olhar para os processos da administração fiscal, para processos de capitalização de empresa.”

Na opinião de António Costa, com a delegação por parte do Estado de competências e funções nos contabilistas certificados vai permitir-se “simplificar” muito daqueles procedimentos, designadamente vai permitir ao Estado “poupar muitos dos recursos consumidos em burocracia”.

“Permitirão, sobretudo, às empresas aliviar, em muito, a carga burocrática que têm que assumir para cumprir todas as suas obrigações perante o Estado”, acrescentou.

Todo o processo de construção das novas instalações da Ordem dos Contabilistas Certificados (OCC) e a nova Casa do Contabilista, composta designadamente por um lar, restaurante e auditório, teve um investimento na ordem dos 12 milhões de euros, disse hoje o bastonário da OCC, António Domingues de Azevedo.