O candidato às eleições primárias do PS António Costa chamou «falhado» ao governo por já ter apresentado oito orçamentos retificativos e apontou o combate à pobreza infantil como prioridade para construir uma «sociedade decente» com igualdade de oportunidades.

Em Braga, perante uma plateia de cerca de 200 apoiantes, Costa explicou que a pobreza infantil significa «cortar as pernas à partida» a crianças e jovens lembrando que nos últimos anos os números de pobreza entre aquela camada aumentaram 30%.

O opositor de António José Seguro nas eleições primárias de dia 28 considerou ainda «absolutamente incompreensível» que «ainda não se conheçam» os programas operacionais do novo quadro de apoios comunitários e que o Governo não tenha ainda «mobilizado um único cêntimo» do dinheiro disponibilizado pela União Europeia.

«Numa sociedade decente como a que queremos construir ninguém pode ser privado do seu poder de desenvolvimento por falta de condições económicas porque numa sociedade decente todos tem igualdade de oportunidades nasçam onde nasçam, tenham o dinheiro que tenham», afirmou o candidato à corrida para primeiro-ministro.

Isto porque, disse, «os jovens e as crianças viram aumentar em 30% a pobreza ao longo destes anos».

Segundo António Costa, «a pobreza significa cortar as pernas à partida, impedir que as crianças e os jovens sejam impedidos de desenvolver todo o seu potencial em função da sua capacidade do seu esforço e do seu trabalho e que, por condições económicas, estão impedidas de se realizarem plenamente».

De baterias apontadas ao Governo, o presidente da Câmara Municipal de Lisboa apelidou o executivo de Pedro Passos Coelho de «falhado», referindo-se aos orçamentos retificativos apresentados desde o início da legislatura.

«Este Governo, que tinha fixado uma boa gestão orçamental como objetivo, bateu todos os recordes de orçamentos retificativos. Não falhou uma vez, falhou oito vezes e quem falha oito vezes é um governo falhado», considerou.

António Costa criticou também o Governo pelo andamento da aplicação dos Fundos Comunitários, considerando que «é absolutamente incompreensível que em setembro de 2014, e devendo ter entrado em vigor no início do ano o novo quadro comunitário de apoios, ainda ninguém conheça quais são os programas operacionais seja para a competitividade, seja para o reforço de ação social».

Segundo Costa, o Governo está «a chegar quase ao fim deste ano sem ter conseguido mobilizar um único cêntimo, um único euro dos milhares de milhões de euros que a união europeia disponibiliza».

Além disso, o autarca apontou ainda os «milhares de milhões de euros» ainda disponíveis pelo Quadro de Referência Estratégia Nacional que, alertou, «Portugal se arrisca a perder por não ter sido capaz de mobilizar a tempo e horas essas verbas que eram tão necessárias para financiar o tecido empresarial, para financiar a criação de empregos e para relançar economia».

Sem nunca se referir ao nome de António José Seguro, Costa deixou um apelo a quem participar no ato eleitoral socialista de 28 de setembro.

«A decisão que vão tomar próximo dia 28 é absolutamente essencial e a pergunta que cada militante e simpatizante deve fazer e no isolamento da urna é responder a esta questão muito clara e muito simples: quem está em melhores condições para liderar o PS», referiu.