O candidato às primárias do PS António Costa defendeu esta segunda-feira que é necessário «repor a trajetória de atualização» do salário mínimo nacional interrompida com a crise, sublinhando que esse é um fator «fundamental» para a recuperação económica do país.

«É necessário estabilizar o rendimento dos pensionistas e cumprir as decisões do Tribunal Constitucional e repor a trajetória de atualização do salário mínimo nacional, que foi interrompida com o início da crise e que previa que tivesse chegado aos 500 euros em 2011», afirmou.

Para António Costa, o congelamento do salário mínimo nacional em 485 euros «é um fator que acresce incerteza à economia», já que retrai a procura e, por consequência, o desenvolvimento das empresas.

«É fundamental para a recuperação económica do país devolver estabilidade e confiança aos rendimentos das famílias», acrescentou.

Aludindo à abertura manifestada pelo Governo para discutir a subida do salário mínimo nacional, o candidato ironizou que este será «um ano próspero em boas notícias», face às eleições legislativas de 2015, mas sublinhou ser necessário que essas boas notícias «não nos façam iludir do que é fundamental».

«O fundamental é dar sustentabilidade à nossa economia, para não estarmos a alternar sistematicamente entre épocas de crise e épocas de boas notícias em ano de eleições», vincou.

Especificou que dar sustentabilidade é investir na educação, na formação profissional, na ciência e na inovação.

«O país não se desenvolverá com uma estratégia na base do empobrecimento, mas sim da qualificação», defendeu.

António Costa, que falava depois de visitar o Instituto Politécnico do Cávado e Ave, em Barcelos, e o Centro Tecnológico das Indústrias Têxtil e do Vestuário, em Famalicão, sublinhou que Portugal «pode ter confiança nos recursos que tem» e «só precisa de um Governo mobilizador» para vencer a crise.

«Não há nenhuma razão para o país estar deprimido. O país precisa é de ter um Governo mobilizador das energias regionais e que tenha a estratégia certa para enfrentar os problemas do futuro», acrescentou.

Para o candidato, a prioridade do corte da despesa «não pode ser na educação, no ensino superior, na ciência e na investigação, porque esse é o capital fundamental para o futuro».

As eleições primárias no PS realizam-se a 28 de setembro.