Foi em 2012 que Passos Coelho proferiu a famosa frase em que pediu aos portugueses para perceberem que é preciso exigência e não serem "piegas". Mas está bem presente na memória dos jovens que emigraram e que este domingo de manhã não ficaram na cama e encheram o café concerto do Centro Cultural Vila Flor, em Guimarães, numa conversa por Skype alguns dos que se viram forçados a sair do país. António Costa aproveitou a lembrança para devolver o adjetivo ao Governo, voltando à carga com o que é governar um país com condições e estabilidade. 

"Agora que veem o tapete e fugir-lhes debaixo dos pés, começam na pieguice de dizer ai ai ai vem aí a instabilidade. Não, vem aí a estabilidade desde logo na via dos pensionistas, de quem ainda tem emprego, de quem quer investir, daqueles que partiram sem vontade de partir e que têm vontade de regressar".


"Piegas... isto foi um insulto ao país revela bem aquilo que está na massa do sangue", voltou depois a dizer, já num almoço com apoiantes em Braga, onde juntou cerca de 600 pessoas. Onde voltou a pedir maioria absoluta, trazendo mais um adjetivo para o leque de designações que tem vindo a usar.

"Uma grande vitória, uma vitória inequivoca, uma vitória extraordinária, uma vitória com maioria absoluta do Partido Socialista".  


Costa quer derrotar para ganhar piscando o olho à esquerda

Acenando outra vez para fora do PS, desta feita num discurso mais virado para o voto útil dos esquerdistas, o líder do PS assumiu que o seu partido tem "uma responsabilidade muito pesada".

"Representamo-nos não só a nós próprios, mas a todos aqueles que além do espaço político se mantêm fiéis ao que o 25 de Abril nos deu a todos: uma escola publica, SNS e Segurança Social sustentável" para todos"


Tudo para que, "primeiro", haja uma derrota da direita. "A segunda lição: que haja uma vitória do PS", dramatizando o apelo ao voto: "A única oportunidade para pôr termo a este governo é votar e votar no PS".


"Fazer festas pela Internet é algo que me aterroriza"


Tanto a caravana socialista como a coligação Portugal à Frente tinham estado juntas em Guimarães, mas ainda não se cruzaram. Enquanto Passos e Portas fizeram uma arruada pela cidade, António Costa esteve no fórum organizado pela Juventude Socialista, com testemunhos, via Skype, de quem está lá fora. 

Muitos nem virão a Portugal no dia 4 de outubro e foi também por eles que o secretário-geral do PS renovou os apelos ao voto: "Temos de nos lembrar que temos de votar não só por nós, mas por quem emigrou. temos o dever de votar por eles".

Com um discurso virado para o futuro, Costa lembrou o seu próprio passado.  "Se o meu pai não tivesse vindo de Goa para Lisboa, não estaria aqui. Mas uma coisa é a liberdade de circular, outra é a de não termos escolha e partir porque o país deixou de ter esperança". 

"Passar a fazer festas aos meus filhos pela Internet é algo que me aterroriza e que não quero para o futuro do meu país"


Algo que, acusou, o Governo fez com "desprezo" e "absoluta insensibilidade". E que, a pouco tempo das eleições, anunciou um novo programa paa atrair de regresso quem partiu. 

"Perante esta vaga emigratória governo criou nova ilusão, o Governo anunciou com pompa e circunstância grande programa, o VEM. Afinal, é um program que, no fim de tudo, lá para janeiro, permitirá selecionar 20 pessoas, 20 pessoas, a quem poderá ser atribuída uma bolsa de 20 mil euros para regressar a Portugal", ironizou Costa.


Juntar as peças do puzzle


Um dos jovens que interveio por Skype, Manuel, um engenheiro civil que dá aulas de inglês no Reino Unido, disse que ele, sim, ajudou a baixar a taxa de desemprego: "Podemos acrescentar: ele já contribuiu mais do que o primeiro-ministro para baixar a taxa de desemprego", soltou depois o candidato a primeiro-ministro. 

Tiago Brandão Rodrigues, apontado para a pasta da Educação se o PS vier a formar governo. juntou-se mais uma vez a Costa nesta campanha e assinalou que "o pior do que tudo" é os jovens que emigraram "serem vistos quase como uma solução para esta coligação". "Basicamente não contam para os números do desemprego. São escondidos e afastados", concretizou. 

O investigador de Cambridge pediu às pessoas para que tenham as "expectativas lá, bem altas, no topo" e acredita que um governo PS conseguirá "criar condições" para que elas não saiam frustradas. 

"Cada um de nós é uma peça, peças que agora não conseguem acabar este puzzle e construir economia mais forte, construir família mais próxima. Isto só é possível com uma mudança. O que está em causa é uma responsabilidade, mas uma responsabilidade fantática em direção ao regozijo de ter uma imagem final, cheia e completa".


Um puzzle em que não falte uma única peça. No café concerto do Centro Cultural Vila Flor, um espaço pequeno, as cheio, também não faltou. 

Domingo de manhã e entre jovens para quem os sábados à noite são preciosos, António Costa ainda se saiu com uma piada: "Admito que para alguns ainda seja regime de after hours". Para o líder do PS, chegou precisamente a hora certa "escolha muito clara" entre "aqueles que apostam em votar para voltar, ou em votar para emigrar".