O primeiro-ministro destacou, esta quarta-feira, o mérito de António Guterres na sua eleição no Conselho de Segurança para secretário-geral das Nações Unidas, revelando que já deu um abraço ao antigo chefe do executivo.

O mérito óbvio e primeiro é do engenheiro António Guterres, que ao longo de toda sua vida, quer como primeiro-ministro, quer ao longo de dez anos como Alto Comissário para os Refugiado, quer neste longo processo de seleção, revelou ser a pessoa melhor colocada para exercer funções como secretário-geral das Nações Unidas", disse o primeiro-ministro, António Costa.

António Costa, que falava aos jornalistas no final da cerimónia de condecoração do ex-presidente do Tribunal de Contas Guilherme d'Oliveira Martins, do anterior presidente do Tribunal Constitucional Joaquim Sousa Ribeiro e do histórico dirigente socialista Manuel Alegre, sublinhou igualmente "o esforço que a diplomacia portuguesa fez", em particular o embaixador de Portugal junto das Nações Unidas, e o trabalho do ministro dos Negócios Estrangeiros, do Presidente da República e de todos os orgãos de soberania.

Já tive oportunidade não só de lhe falar ao telefone, como de lhe dar um abraço e de viva voz dar-lhe os meus calorosos parabéns", adiantou António Costa, reiterando o orgulho que sente como amigo e como primeiro-ministro por "este extraordinário resultado" de António Guterres.

Esse resultado, acrescentou, contribuirá para prestigiar as Nações Unidas, que precisa de ser uma organização forte num mundo com tantos conflitos.

Agora [as Nações Unidas] ficarão em boas mãos", frisou.

Ao lado do primeiro-ministro, o ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, recordou os momentos mais difíceis das primeiras votações, mas admitiu que a partir de certo momento se tornou claro que a candidatura de António Guterres estava a consolidar-se.

Era claro o espírito que se sentia nas Nações Unidas e que pode ser resumido assim: um processo tão exemplar no seu método tinha que ter uma conclusão que fosse igualmente exemplar e foi isso que aconteceu hoje", referiu, notando o facto de ter sido introduzida "maior transparência" em todo o processo, que culminou com "uma vitória clara e inequívoca" do antigo primeiro-ministro.

Questionado se as relações com Alemanha poderão ficar "feridas", já que este país apoiou a candidatura da comissária europeia para Orçamento e Recursos Humanos, Kristalina Georgieva, que surgiu já a meio do processo, Augusto Santos Silva evitou a questão, sublinhando que "todas as candidaturas eram excelentes" e que isso só valoriza a vitória de António Guterres.

"Nunca fizemos nada que denotasse da nossa parte excesso de confiança, a palavra que mais repetimos foi serenidade", acrescentou, vincando a simpatia que o antigo primeiro-ministro beneficia.

"Portugal goza de uma simpatia, de um reconhecimento na cena internacional absolutamente impressionante", acrescentou Augusto Santos Silva que acabou por pedir desculpas aos jornalistas por ter que interromper a conversa porque tinha o seu "colega francês" a ligar-lhe para o telemóvel.

O Conselho de Segurança anunciou hoje que António Guterres é o "vencedor claro" da votação, recebendo 13 votos de encorajamento (em 15 votos), sem qualquer veto.

Este órgão, com poder de veto, deverá aprovar na quinta-feira uma resolução a indicar o nome de António Guterres para a Assembleia-Geral das Nações Unidas, formalizando assim a eleição do sucessor de Ban Ki-moon.

Guterres vai liderar, a partir de janeiro, uma casa que conhece bem, depois de ter chefiado o Alto-Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), entre junho de 2005 e dezembro de 2015, uma organização com cerca de 10.000 funcionários em 125 países.

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