O secretário-geral do Partido Socialista, António Costa, acusa o Presidente da República de “impor uma condição que não resulta da Constituição nem da prática política” ao dizer que só aceita um Governo maioritário após as próximas eleições legislativas.

“Quem colocou o problema foi o Presidente da República, impondo uma condição que não resulta da Constituição, nem da prática política.”


Mais, Costa lembrou, a este propósito, que o primeiro Governo de Cavaco Silva resultou “apenas de umas eleições em que ganhou com 29%”, em entrevista ao “Jornal de Notícias”. E voltou a reiterar que uma coligação com o PSD/CDS não está em cima da mesa: “Se querem mudança, não quererão que o PS faça coligação com um partido que deseja a continuidade destas políticas”.

O líder socialista não se mostrou, no entanto, preocupado com as sondagens, que a esta altura dão vantagem aos socialistas, mas longe de uma maioria. Para Costa, “as maiorias definem-se em cima das eleições”.

“As sondagens dão ao PS 7% acima do que teve nas europeias e as maiorias definem-se sempre em cima das eleições.”


Num momento em que os partidos marcam o calendário de pré-campanha com a apresentação de propostas antes das férias, Costa assegura que o objetivo do programa de Governo socialista é "repor a dignidade das pessoas" e combater a "desumanização da política". Sobre uma das medidas apresentadas pelo partido que mais polémica tem gerado, a redução da TSU, o secretário-geral do PS reafirmou a importância da sua aplicação para dar um novo fôlego ao orçamento de empresas e famílias.

"Temos níveis salariais de tal forma baixos, que sem a redução temporária da TSU não conseguiríamos aumentar o rendimento sem uma pressão que a generalidade das empresas não está em condições de suportar e as famílias estão asfixiadas."


Sobre as Presidenciais, Costa garantiu que tem "uma enorme estima por Sampaio da Nóvoa", mas recusou pronunciar-se sobre um eventual apoio do PS ao antigo reitor da Universidade de Lisboa na corrida a Belém. 

"Só conheço um candidato presidencial, que é Sampaio da Nóvoa, por quem tenho enorme estima."