O secretário-geral do PS prometeu esta terça-feira que fará no Governo uma gestão transparente, de proximidade e de rigor, inspirada nos princípios da Câmara de Lisboa, que fez contrastar com a gestão do executivo PSD/CDS.

António Costa falava num jantar da secção de Benfica do PS, num discurso com cerca de 15 minutos em que acusou o Governo de «governar em conflito».

«É preciso reconstruir a confiança no país, mobilizar as pessoas, com uma governação de proximidade, com diálogo político, transparência e gestão com rigor. É por isso que aquilo que fizemos ao longo de sete anos na cidade de Lisboa é para nós inspirador daquilo que sobre aquilo que temos de fazer no conjunto do país para resgatar Portugal à descrença», declarou no seu discurso.

Na sua intervenção, o líder socialista tentou sempre colocar em contraste a gestão da Câmara de Lisboa nos últimos sete anos e a gestão do Governo nos últimos três anos e meio.

«Só no último ano a dívida [de Portugal] aumentou oito mil milhões de euros, o equivalente ao total de receitas obtidas com as privatizações. Foram-se os anéis. Em Lisboa, a dívida baixou [em 2014] 25 milhões de euros. Eles aumentaram a dívida e nós baixámos a dívida», sustentou António Costa.

António Costa considerou também que o atual Governo «adora falar do passado» e, nesse contexto, interrogou-se sobre o que pessoalmente teria feito, enquanto presidente da Câmara de Lisboa, se tivesse imitado essa atitude, andando os últimos sete anos a falar do passado «em vez de resolver os problemas dos lisboetas».

«Interrogo-me o que tinha feito se passasse o tempo a recontar os vários dramas judiciais, financeiros e urbanísticos do caos que existia na Câmara de Lisboa [no tempo da gestão PSD]. Mas, felizmente, perdemos pouco tempo com o passado e concentramo-nos a fazer aquilo que nos competia fazer» disse, num discurso em que insistiu na defesa da descentralização de competências (caso da Polícia de Trânsito) e na transferência de competências da Carris e do Metro para a Câmara de Lisboa.

Neste ponto, o secretário-geral do PS acusou também o Governo de adotar o princípio da decisão não partilhada, sendo, por exemplo, incapaz de se entender com a Associação Nacional dos Municípios Portugueses (ANMP) e com a Associação Nacional de Freguesias (ANAFRE) em matéria de descentralização de competências.

«Os políticos devem existir não para lamentar problemas mas para resolver os problemas. Podemos medir e comparar a diferença entre a gestão que fazem no país e a que temos na cidade de Lisboa», declarou.

Além da questão dívida, António Costa advogou ainda ter na sua autarquia uma política de redução de IRS, a par de um IMI (Imposto Municipal sobre Imóveis), enquanto o atual Governo foi responsável «pelo maior aumento de impostos».

No primeiro discurso da noite, o líder do PS/Lisboa defendeu que a recente vitória do Syriza na Grécia «é um sinal de mudança e pode ser também um sinal de esperança», criticando o Governo português por «estar agarrado a soluções do passado».

«Todos os sinais positivos que têm surgido acontecem apesar do Governo», defendeu Duarte Cordeiro, numa alusão a decisões tomadas pelo Tribunal Constitucional e a medidas adotadas pela Comissão Europeia e pelo Banco Central Europeu.