O primeiro-ministro, António Costa, acusou esta quarta-feira a líder do CDS-PP, Assunção Cristas, de, enquanto ministra da Agricultura, ter acumulado pedidos de candidatura a fundos comunitários, sem os apreciar, paralisando investimento.

"Uma das razões fundamentais porque o investimento caiu foi porque precisamente a senhora acumulou pedidos de candidatura mas não os apreciou, não os decidiu, não os financiou e tudo estava parado", acusou António Costa.

No debate quinzenal no parlamento, Cristas começou por acusar Costa de uma queda no investimento em Portugal, exibindo um gráfico comparativo de países na União Europeia, e prosseguiu com a acusação de que o ministro da Agricultura estava a cancelar concursos, questionando a execução para este ano no setor agrícola.

António Costa afirmou que o número de candidaturas submetidas desde 2014 foram 25 681, e que "em outubro deste ano estavam analisadas 2212, ou seja, 8,5%", ao passo que, "neste momento, já estão atualizadas 8423, ou seja, 33%".

"Destas analisadas, 5329, o que significa 68%, já foram decididas pelo atual governo e 76% favoravelmente. Neste momento, já foram enviadas para contratação 3123 candidaturas, das quais já estão contratadas 2692. Em outubro de 2015 sabe quantas estavam? Sabe qual o número que comparava com 2692? Zero era o número que estava contratado", prosseguiu.

"Como no Ministério da Economia a desgraça era tão grande como no Ministério da Agricultura, era este investimento que estava parado e que está agora a recomeçar", afirmou.

Na réplica, Assunção Cristas acusou o primeiro-ministro de revelar "a sua ignorância sobre a matéria".

"Os fundos da Agricultura que, pela primeira vez tiveram um regime transitório, - que permitiu não haver nenhum hiato de investimento - a regra é esta: quando dá entrada pode imediatamente ser executado o fundo, candidatura entrada é candidatura que começa a ser executada", afirmou.

Para Assunção Cristas, o chefe de Governo também revelou "enorme ignorância nesta matéria" ao não perceber "que nos fundos da Agricultura a parte mais pequena é a parte pública, a parte grande é a parte do investimento privado, em regra 30% de investimento público, em regra 70% do investimento privado".