O secretário-geral do PS aconselhou, esta quarta-feira, o ministro Adjunto e do Desenvolvimento Regional a sair do seu gabinete para conhecer Portugal, criticando aquilo que diz ser «incompetência» governamental no aproveitamento de fundos da União Europeia.

«Se o ministro Poiares Maduro saísse do gabinete e pusesse os pés na terra, fosse às empresas, falar com autarcas e percebesse a realidade do país onde está e não o país onde estudou e viveu, talvez os fundos comunitários estivessem a produzir resultados e já», afirmou António Costa, após reunião com representantes dos setores industrial e agrícolas portugueses, no parlamento.


Poiares Maduro, que no seu percurso académico e profissional passou por Florença, Estados Unidos e Luxemburgo, entre outros, acusara o líder socialista de estar «um bocadinho mais preocupado com as eleições do que» o seu antecessor, António José Seguro, e defendeu que «o Portugal 2020 (Quadro de Referência Estratégica Nacioanl 2014-20) nunca pode ser planeado em função das eleições», em entrevista ao Diário Económico.

«Quando vamos falar com qualquer governo estrangeiro, da União Europeia, e dizemos que é necessário reforçar o orçamento, a pergunta que nos fazem é para quê? Há fundos comunitários e a Garantia Jovem para combater o desemprego que não estão utilizar. Para que vêm pedir mais dinheiro, se não são capazes de utilizar o já disponível?», continuou Costa.


O ainda Presidente da Câmara Municipal de Lisboa negou querer utilizar os fundos europeus como arma de arremesso político.

«Eu não quero que haja combate político em torno disto. O que quero é que os fundos sirvam para o que foram criados - ativar a economia, ajudar a crescer, a criar emprego, romper com este ciclo de empobrecimento. É preciso, de facto, um Governo que não acredita na importância do investimento para ter desvalorizada a importância estratégica deste quadro (comunitário de apoio)», concluiu.