O primeiro-ministro e secretário-geral do PS, António Costa, escreve esta sexta-feira uma mensagem na edição digital do jornal Ação Socialista, advogando que com três meses de Governo está já provado que "é possível construir alternativas".

"Coincidindo esta data com os primeiros três meses desde a tomada de posse do Governo do Partido Socialista, é motivo para uma dupla celebração, que espero que se repita ao longo dos próximos anos. Fica provado que, com rigor, transparência e diálogo, é possível construir alternativas e ganhar a confiança dos portugueses", diz o líder socialista no jornal diário online do PS, que esta sexta-feira assinala um ano de existência.

O partido organiza na sede, em Lisboa, uma iniciativa que assinala a marca, estando presentes no evento o secretário-geral e primeiro-ministro, António Costa, a secretária-geral-adjunta do PS, Ana Catarina Mendes, a diretora do Ação Socialista, Edite Estrela, e vários deputados e elementos do Secretariado Nacional socialista.

António Costa diz que o Ação Socialista e, em concreto, a sua edição na Internet, foi ao "longo deste ano de tantos desafios e conquistas" uma "peça fundamental de aproximação e mobilização dos cidadãos".

"[O jornal] Veio demonstrar que a melhor forma de dar força à democracia é criar novos mecanismos de participação e ligação entre os partidos e as pessoas", acrescentou o chefe dos socialistas.

Na sua mensagem aos leitores do título, o secretário-geral socialista agradece ainda "o empenho e dedicação da sua principal mentora, Edite Estrela", e de toda a equipa "deste importante e inovador instrumento de comunicação" do PS.

Bruxelas constatou que anterior Governo “não resolveu desequilíbrios estruturais” 

António Costa afirmou esta sexta-feira que o relatório da Comissão Europeia sobre a situação económica e estrutural portuguesa, revelado esta tarde, "constata" que o anterior governo PSD/CDS-PP "não resolveu os desequilíbrios estruturais" do país.

"Ainda hoje a Comissão Europeia publicou um relatório sobre os desequilíbrios de Portugal e constata aquilo que já sabíamos: que este programa de quatro anos não resolveu os desequilíbrios estruturais", vincou o chefe do Governo, referindo-se aos quatro anos de governação PSD/CDS-PP.

O secretário-geral do PS falava na sede do partido, em Lisboa, durante uma iniciativa em torno do jornal diário online do PS, Ação Socialista Digital, que assinala um ano de existência.

"Quando se diagnostica mal, só por sorte se acerta no tratamento", vincou ainda o primeiro-ministro sobre os últimos anos de Portugal, advogado que "não há processo de reforma" num país "que se faça contra a sociedade".

E concretizou: "É urgente sarar estas feridas, coser aquilo que se rasgou".

O primeiro-ministro e líder do PS destacou ainda áreas como a educação, formação, cultura e ciência como "bases da sociedade do conhecimento e da cidadania ativa" que o seu Governo quer desenvolver.

"Este ano foi muito importante, mas foi importante para começarmos a fazer o trabalho de fundo que é necessário fazer", prosseguiu António Costa.

Falando perante vários elementos do Secretariado Nacional do PS e deputados socialistas, Costa lembrou que, com o Orçamento do Estado para 2016, "os mercados em vez de ficarem nervosos têm vindo serenamente a baixar as taxas de juro de Portugal", e também as agências de ‘rating' têm "de forma positiva" sublinhado o "significado da aprovação deste Orçamento".

"Conseguimos responder ao principal desafio que tínhamos pela frente: demonstrar que é possível com responsabilidade e dentro do quadro do euro virar a página da austeridade", prosseguiu o líder do executivo do PS apoiado a nível parlamentar pela esquerda política portuguesa.

A Comissão Europeia continua a duvidar da redução do défice prevista pelo Governo português para 2016, admitindo que existe o risco de o executivo socialista não encontrar um acordo à esquerda parlamentar caso sejam necessárias mais medidas de consolidação orçamental.

A Comissão Europeia avisou hoje que o rácio da dívida pública face ao PIB pode ficar "fora de controlo", caso Portugal apresente um crescimento económico fraco, um aumento acentuado das taxas de juro ou um "abrandamento dos esforços orçamentais".

No relatório específico sobre Portugal, no qual é dado seguimento ao mecanismo de alerta de desequilíbrios macroeconómicos, no âmbito do Semestre Europeu, divulgado esta sexta-feira, Bruxelas afirma, por exemplo, que a dívida pública "é sustentável em cenários plausíveis", mas "o seu comportamento é vulnerável a choques adversos".

O relatório é um documento de trabalho dos serviços da Comissão Europeia e não constitui uma posição oficial da Comissão.