Catarina Martins levou a situação da Catalunha ao debate quinzenal desta quarta-feira, pedindo ao Governo que clarificasse a sua posição quanto ao que se está a passar em Espanha, mas ouviu de António Costa aquilo que não queria, ou seja, "o silêncio".

Não a acompanho totalmente na questão internacional que colocou", disse apenas o primeiro-ministro.

Estas foram, de resto, as únicas palavras do executivo português sobre o assunto, depois da violência policial de domingo sobre os catalães que queriam votar no referendo à independência da região.

A coordenadora do Bloco de Esquerda condenou "a violenta repressão do reino de Espanha" e afirmou que "Portugal não deve ter um silêncio cúmplice".

A Assembleia da República aprovou entretanto, esta quarta-feira, um voto apresentado pelo PS de "preocupação pela evolução da situação política na Catalunha", rejeitando simultaneamente um voto de BE e PAN de "condenação pela violência e repressão policiais".

O voto apresentado pelo PS foi aprovado com os votos favoráveis dos socialistas, do PSD e do CDS-PP e a abstenção do PAN, BE, PCP e PEV.

Na condenação pela "violência e repressão policiais" votaram a favor BE, PCP e PAN, nove deputados do PS e dois do PSD. Votaram contra estes diplomas de condenação da violência o PSD, CDS e cinco deputados do PS, tendo a bancada socialista maioritariamente optado pela abstenção.

Os deputados do PSD que votaram a favor foram Rubina Berardo e Ulisses Pereira, e, entre os socialistas, Helena Roseta, Jorge Bacelar de Vasconcelos, Paulo Trigo Pereira, Isabel Moreira, Tiago Barbosa Ribeiro, Carla Sousa, Hugo Carvalho, Luís Graça e André Batista.

Rocha Andrade, Nuno Sá, Luís Vilhena, Luís Testa e Idália Serrão foram os deputados do PS que votaram contra.

Também o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, tem estado em silêncio sobre o assunto.

Achamos que qualquer Governo democrático deve condenar a violência policial a que se assistiu na Catalunha, a começar pelo Governo português, até porque a Constituição portuguesa respeita a autodeterminação de todos os povos”, afirmou Catarina Martins no domingo, desafiando o Governo a condenar a violência policial que provocou quase 900 feridos.

Na noite das autárquicas, no Palácio Galveias em Lisboa, o quartel-general do BE, a coordenado bloquista frisou mesmo a “enorme gravidade” do que estava a acontecer na região.

O que se está a passar hoje na Catalunha é de uma enorme gravidade", alertou.

Tanto Governo como Presidência abordaram a “questão catalã” (o termo usado foi mesmo este) somente no sábado, véspera da realização do referendo.

comunicado divulgado nesse dia pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros defendeu que a “questão catalã” deve ser “considerada no quadro do respeito pela constituição e pelas leis espanholas.” Uma posição que, de resto, foi subscrita por Marcelo Rebelo de Sousa.

Postura diferente tiveram vários líderes europeus, que se manifestaram preocupados com a escalada de tensões. Muitos condenaram cabalmente o abuso da força pela Guardia Civil.