O primeiro-ministro levou ao debate quinzenal, esta quarta-feira, os principais temas que vão estar na agenda do Conselho Europeu, na quinta e na sexta-feira em Bruxelas: o terrorismo, as migrações e União Económica Monetária. O final do debate terminou com uma farpa de Costa a Luís Montenegro: "Não sei se está invejoso da falta de amor do PCP pelo PSD ou da falta de amor do PS pelo PSD".

Antecipando o que vai ser discutido no Conselho Europeu, António Costa defendeu a importância da aproximação da Turquia à UE para fazer face ao terrorismo e à crise migratória que atravessa o velho continente.

"Assume-se de especial importância a redinamização das relações com a Turquia - um dos principais eixos da estratégia europeia para lidar com o fenómeno migratório. Goste-se ou não a Turquia, verdadeiramente, já faz parte da União Europeia."


O chefe do Governo defendeu uma "ação europeia forte e credível" que aposte na prevenção para combater o radicalismo. E aqui, António Costa destacou que a luta se faz pela raiz, promovendo a "coesão social", as "políticas habitacionais e sociais".

"Não tenho dúvida de que a prevenção é a chave para o combate ao radicalismo. As politicas habitacionais e sociais que têm criado na Europa viveiros de radicalismo têm de ser combatidas. A coesão social é uma das formas de prevenção."


Depois de Catarina Martins ter apontado a hipocrisia dos países europeus quanto à questão do terrorismo, salientando a venda de armamento da Arábia Saudita ao Estado Islâmico, bem como a circulação de petróleo na Turquia que "alimenta o exército do terror", Costa mostrou "repúdio" pela "posição dúplice" no espaço europeu.

Já sobre a questão dos refugiados, o chefe do Executivo defendeu que a Europa "não pode ter as fronteiras fechadas" a quem lhe pede auxílio e frisou a disponibilidade de Portugal nesta matéria.

"A Europa tem um dever de proteção. Não podemos ter as fronteiras fechadas a quem nos pede auxílio. Associamo-nos aos que estão disponíveis para apoiar. Portugal deve disponibilizar equipas técnicas para o acolhimento e rastreio das pessoas que pedem auxílio e a disponibilidade acrescida para acolher refugiados que estão na Turquia."


Jerónimo de Sousa questionou o primeiro-ministro sobre aquilo que considerou ser a "chantagem e o oportunismo do governo britânico" e Costa respondeu que, não obstante o Reino Unido ser o mais antigo aliado de Portugal, há valores fundadores da UE que não podem ser discutidos.

"Há valores fundadores da UE e é insusceptível de discussão quer a liberdade de circulação, quer o principio da não discriminação. São duas posições que temos de deixar muitas claras no debate com o Reino Unido."


Sobre a União Económica Monetária, o primeiro-ministro defendeu mais coordenação económica e fiscal como sendo a "única via para o relançamento económico da União Europeia" e salientou a importância do programa Juncker para impulsionar o investimento.

A última intervenção do primeiro-ministro terminou com um conselho, carregado de ironia, a Luís Montenegro, do PSD. O deputado social-democrata tinha dito, minutos antes, que o primeiro-ministro se sentia confiante "de braço dado com o Avante", numa alusão ao apoio parlamentar do PCP. E Costa respondeu à letra.

"Gostaria que aproveitasse este período natalício para meditar que eu já registei que já esta invejoso. Só não sei se está invejoso da falta do amor do PCP pelo PSD ou da falta do amor do PS pelo PSD. A inveja não é boa conselheira e é bom tempo de arrepiar esse caminho."