Em conferência de imprensa, na sede nacional do partido, em Lisboa, António Costa apresentou "O Quanto, o Quando e o Como do Programa Eleitoral do PS", antes da intervenção do economista coordenador do cenário macroeconómico, Mário Centeno, vincando que o programa socialista "não é um saco de palavras", nem uma "soma de promessas", mas sim "compromissos para a próxima legislatura".

 

"A construção da confiança não é uma questão de fé", declarou o líder socialista, vincando que o trabalho do PS assenta no "rigor e ambição contra a decadência nacional" face aos quatro anos de "retrocesso" da governação PSD/CDS-PP e a referida "alternativa de confiança não pode assentar em ilusões", mas antes numa "análise séria, realista, de qual é efetivamente a situação do país".

O secretário-geral do PS e cabeça de lista por Lisboa nas eleições de 04 de outubro referiu que os portugueses vão ter uma "escolha entre a continuidade ou a construção de uma alternativa de confiança com o PS".

"O prémio Nobel da Economia Paul Krugman deu Portugal como exemplo de um país que se encontra em espiral de morte económica, tal o grau de destruição de emprego, o aumento do ciclo de emigratório, o nível de desemprego e de desmotivação no mercado de trabalho", disse, citando um artigo do especialista no Financial Times, para sublinhar que mesmo que o emprego "recuperasse aquilo que o Governo aponta como meta para o final deste ano, estaríamos com um nível de emprego idêntico ao de 1997".

Porém, para o secretário-geral do PS "este retrocesso, esta trajetória de decadência nacional não é fatalidade", mas antes "a realidade sobre a qual" há que "agir e construir as políticas certas para produzir os resultados necessários".

 

"O PS não se resigna com esta decadência, quer devolver confiança à sociedade, que passa por não iludir, mas também por construir uma alternativa assente em medidas testadas, avaliadas, em que nem prossigamos a trajetória de austeridade - como o novo corte pensões 600 milhões euros como propõe a coligação de direita -, nem nos lançarmos agora, por radicalismo ideológico, em novas aventuras, que não contribuiriam para resolver nenhum problema como os agravariam a prazo", continuou.

O responsável socialista exemplificou ainda com uma simulação de plafonamento das contribuições, como defendem PSD e CDS-PP, na qual se verifica que, caso se abranja os trabalhadores que ganhem mais de 2.500 euros, tratar-se-á somente de 5% da população ativa, com um "rombo total da receita de 13%".

Se o exercício for feito para os salários de 2.000 euros, o universo será de 8% de contribuintes, com um impacto de menos 17% em termos de receitas.