João Oliveira, pelo PCP, congratulou-se, esta terça-feira, com a solução governativa de um executivo PS e deixou críticas a Cavaco Silva.

O Presidente "acaba de confirmar que tentou, até ao último momento, manter o PSD e o CDS no poder, ponderando mesmo a manutenção do governo em funções de gestão e ponderando mesmo desrespeitar a vontade do povo português”, disse João Oliveira, do PCP, reagindo à indigitação de António Costa como futuro primeiro-ministro. 

O Partido Comunista reafirma o seu compromisso com os direitos dos trabalhadores, no âmbito do novo cenário governativo, com António Costa ao leme do Governo e a esquerda unida no Parlamento.

“O PCP reafirma a disponibilidade e o compromisso com o povo português, resolvido o problema da solução governativa, a Assembleia da República pode, com a maioria de deputados que neste momento está formada, contribuir para recuperação de direitos dos trabalhadores e do povo português e para uma política, não só de recuperação de direitos mas também de avanço nas condições de trabalho e nas condições de vida do povo português”.

Uma questão de terminologia, ou talvez não, João Oliveira não deixou de sublinhar uma expressão do comunicado da Presidência da República: “Indigitado António Costa, não podemos deixar de assinalar que o Presidente da República, até nos termos em que se refere a essa indigitação, acaba por fugir daquilo que são as obrigações do cumprimento da Constituição, substituindo a indigitação do primeiro-ministro por uma indicação de um primeiro-ministro”, apontou o deputado comunista. 
 

“Verdes” lamentam perda de tempo
 

A líder parlamentar do Partido Ecologista "Os Verdes" (PEV) reafirmou “a perda de tempo” protagonizada pelo Presidente da República para a indigitação do líder socialista como primeiro-ministro e mostrou-se crente na mudança de políticas.

Heloísa Apolónia, em declarações aos jornalistas no parlamento, esclareceu ainda que o PEV não foi consultado sobre nomes de possíveis ministros do futuro XXI Governo Constitucional ou a própria orgânica ministerial.

"Lamentamos, contudo, que esta decisão [de indigitação de António Costa] não tenha sido tomada mais cedo. Havia todas as condições para que o Presidente a tivesse tomado mais cedo. Tal como ‘Os Verdes' denunciaram na altura, foi uma perda de tempo", disse, acrescentando que Portugal "está em condições de retomar uma normalidade no funcionamento das suas instituições".

Por parte de "Os Verdes", tudo será feito para "contribuir para uma mudança de políticas" e colocar "para trás aquele que é já um passado e, no futuro, dar presente e esperança às pessoas".

A deputada ecologista, inquirida sobre a possibilidade de fricção entre parlamento e Presidência da República, nomeadamente pelo facto de Cavaco Silva ter recorrido ao verbo "indicar" em vez de "indigitar" ou "nomear", desejou que as instituições mantivessem o respeito mútuo.

"Essa dificuldade por parte do Presidente pareceu-me manifesta, de ter de deixar de amparar a sua força política de eleição, PSD/CDS, na medida em que a sua vontade contrariava a vontade dos portugueses, de mudança e não de continuidade de políticas", concluiu.


Livre lamenta atraso "desnecessáro"


O partido Livre, que não tem assento parlamentar, congratulou-se com a decisão do Presidente da República, pese embora tenha lamentado o atraso “desnecessário” da indigitação.

“O Livre congratula-se com a decisão do Presidente da República que, ao indigitar o líder do Partido Socialista para formar governo, dá expressão ao voto dos portugueses”, refere o partido em comunicado.

Ao mesmo tempo, recorda que “as eleições do passado dia 4 de outubro deram a maioria dos deputados aos partidos de esquerda: PS, BE, PCP e PEV” e que “são estes partidos que agora se comprometem a apoiar na Assembleia da República um Governo de iniciativa socialista”.

O Livre lamenta “que o Presidente da República tenha atrasado desnecessariamente em quase dois meses a indigitação de um governo estável, tendo mesmo nomeado um Governo que se sabia condenado à data da sua nomeação”.

Apesar de não ter conseguido representação parlamentar, o Livre assegura que “continuará a sua ação como até agora, fazendo política de forma positiva e construtiva”, referindo que “o futuro Governo poderá contar com o apoio do partido”.