O antigo líder do PSD, Luís Marques Mendes, lamentou hoje a morte do consultor do Governo para as privatizações, António Borges, realçando a sua experiência profissional em várias instituições internacionais de prestígio.

«Recordo António Borges como um economista brilhante, com um pensamento forte e estruturado, e um académico reconhecido em Portugal e no estrangeiro», afirmou à agência Lusa o político.

Marques Mendes apontou para o longo percurso profissional de António Borges, doméstico e internacional, destacando as suas passagens pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) e pelo banco norte-americano Goldman Sachs, com cargos de topo.

Mas também elogiou a sua carreira académica, quer em Portugal, quer no estrangeiro, destacando a sua experiência na reputada escola de negócios francesa INSEAD, onde foi reitor.

«António Borges foi um dos portugueses de maior prestígio a nível internacional», sublinhou o ex-governante.

A frontalidade foi a característica mais marcante de António Borges, segundo Marques Mendes, que frisou que o economista tinha posições com as quais se podia, ou não concordar, mas que tinham que se respeitar.

«Às vezes era polémico, porque seguia as suas convicções», assinalou.

Borges travava há três anos uma luta contra um cancro no pâncreas, mas não deixou de levar os seus compromissos profissionais até ao fim, realçou Marques Mendes.

«Impressionou-me a sua atitude durante os últimos três anos. Decidiu viver, mais do que com dignidade, com coragem», frisou.

Por tudo isto, o seu falecimento «é uma perda grande, primeiro, para a família, e também para o país», concluiu o militante do PSD.

O consultor do Governo para as privatizações António Borges, natural do Porto, morreu hoje em Lisboa aos 63 anos, vítima de doença prolongada.