O secretário-geral do PS afirmou-se «chocado» quando ouviu o primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, dizer que tudo fará assegurar a sobrevivência do Serviço Nacional de Saúde (SNS) e defendeu um Estado forte não capturável por interesses.

António José Seguro fez estas críticas no seu discurso na sessão de homenagem promovida pelo PS ao antigo ministro dos Assuntos Sociais António Arnaut, por ocasião do 35º aniversário do SNS.

«Em política as palavras estão gastas, são precisos atos. Hoje, chocou-me ouvir o primeiro-ministro dizer que tudo fará para garantir a sobrevivência do SNS, depois de tudo ter feito para o destruir ao longo destes três anos», acusou o líder socialista, esta segunda-feira.

Para António José Seguro, o atual Governo integra-se numa corrente que entende que «deve haver um Estado mínimo e cada português ser entregue à sua sorte».

«Eles não compreendem a importância do SNS. E, por isso, tudo têm feito para o destruir, para o diminuir, criar-lhe ruturas e baixar a sua qualidade. Nós não aceitamos em Portugal cuidados de saúde para os que têm dinheiro e outros cuidados para os que não têm posses», disse.

O secretário-geral do PS sustentou em seguida a tese de que o país justo «tem um Estado forte, que não é capturável pelos interesses e que separa claramente política e negócios».

«Um país justo é simultaneamente capaz de ter políticas públicas que traduzem a seguinte máxima: Todos tratamos de todos», acrescentou António José Seguro.

«Admirador» de António Arnaut

Seguro afirmou ainda ser um «admirador» do antigo ministro António Arnaut, numa intervenção em que assumiu como objetivo prioritário de um Governo socialista a defesa e sustentabilidade do Serviço Nacional de Saúde (SNS).

«Reunimo-nos aqui para reafirmar o nosso compromisso com o futuro do SNS. Mais do que invocar os 35 anos da sua criação, estamos aqui para reafirmar a necessidade de o país continuar a ter um SNS sustentável e de qualidade na prestação dos seus serviços», vincou o líder dos socialistas.

Tendo a ouvi-lo a presidente do PS e ex-ministra da Saúde, Maria de Belém Roseira, António José Seguro defendeu que, a par da educação, «não há nada que mais contribua para combater a pobreza, a exclusão social e as desigualdades sociais e territoriais do que um bom SNS».

Neste contexto, o secretário-geral do PS fez um rasgado elogio a António Arnaut, fundador do seu partido, antigo ministro de Mário Soares e antigo grão mestre do Grande Oriente Lusitano: «Foi isso que este homem simples, mas de convicções fortes e firmes, fez há 35 anos».

«Queremos aqui agradecer a visão de um homem e a importância política de reafirmar que, para o PS, o SNS não é um capricho, nem um ato para ficar na memória e História do país, mas sim um instrumento para a promoção da igualdade. António Arnaut é um camarada solidário, que nunca esqueceu as suas origens e que nunca perde uma oportunidade para afirmar as suas convicções e os seus valores. Sou um seu admirador como camarada, um admirador como republicano e um admirador como homem cívico», acrescentou.