O Presidente da República renovou, este sábado, os alertas para "a crescente apatia cívica" e indiferença dos jovens perante a atividade política, considerando fundamental que a sociedade e a classe política passem das "palavras aos atos".

"Tenho chamado a atenção, em diversas ocasiões, para os riscos da crescente apatia cívica e da indiferença dos jovens perante a atividade política. Num tempo em que comemoramos 40 anos de democracia, é fundamental que a sociedade e a classe política, em particular, passem das palavras aos atos", afirmou Aníbal Cavaco Silva, no encerramento da IV conferência internacional dos "Roteiros do Futuro", que decorreu na Fundação Champalimaud, em Lisboa.

Referindo-se às conclusões do estudo "Emprego, Mobilidade, Política e Lazer: situações e atitudes dos jovens portugueses numa perspectiva comparada", apresentado sexta-feira por Marina Costa Lobo, Cavaco Silva defendeu ser imperioso, "de uma vez por todas" ter consciência da gravidade desta apatia cívica e da indiferença dos jovens perante a atividade política.

"Como tive oportunidade de afirmar recentemente, é fundamental desenvolver uma estratégia vocacionada para a criação de emprego qualificado e para a credibilização das instituições e seus protagonistas", frisou Cavaco Silva, citado pela Lusa. Por outro lado, continuou, é essencial que existam incentivos credíveis e transparentes que mobilizem os jovens para uma participação mais ativa na construção do destino comum.

De acordo com o estudo coordenado por Marina Costa Lobo, os jovens portugueses estão mais insatisfeitos com a democracia do que em 2007 e atualmente mais de 57% dos jovens entre os 15 e os 24 anos não revela qualquer interesse em política.

Ainda acerca dos dados revelados pelo estudo e apesar de reconhecer que existem elementos que podem induzir algum pessimismo, o Presidente da República disse ser igualmente interessante verificar que, apesar das "graves dificuldades dos últimos anos", é entre os mais jovens que se encontram sinais mais consistentes de esperança e confiança no futuro.

"Quer nas expectativas face ao emprego, quer na atitude perante a mobilidade, são os mais jovens, situados na faixa etária entre os 15 e os 24 anos, aqueles que melhor interpretam as mudanças do presente e que encaram o amanhã de forma mais realista e encorajadora", notou.

Considerando que a participação de tantos jovens na conferência internacional que terminou ao início da tarde "é um sinal de inconformismo e exprime o desejo de pensar e discutir, de forma esclarecida, o futuro de Portugal e dos seus jovens", o chefe de Estado disse estar firmemente convicto que "as novas gerações serão portadoras de uma cidadania mais exigente e informada e que irão contribuir de forma decisiva para um futuro melhor" para país.

Já no final da intervenção, Cavaco Silva recuperou a mensagem que deixou no discurso de tomada de posse do segundo mandato como Presidente da República, a 9 de março de 2011, quando pediu aos jovens para que façam ouvir a sua voz, porque este é o seu tempo.

"Mostrem a todos que é possível viver num país mais justo e mais desenvolvido, com uma cultura cívica e política mais sadia, mais limpa, mais digna. Mostrem às outras gerações que não se acomodam nem se resignam. Sonhem mais alto, acreditem na esperança de um tempo melhor. Acreditem em Portugal, porque esta é a vossa terra", disse o chefe de Estado há pouco mais de quatro anos.