Os dois maiores partidos portugueses, PS e PSD, fazem rasgados elogios ao perfil político do presidente angolano, José Eduardo dos Santos, que terça-feira inicia uma visita de Estado de dois dias a Portugal.

A visão que os responsáveis políticos portugueses têm do chefe de Estado de Angola não varia em função das tradicionais fronteiras entre direita e esquerda, e muitas vezes dentro de um mesmo partido há ideias contraditórias sobre José Eduardo dos Santos.

Angola: eleições estão a ser «um verdadeiro desastre»

As direcções do PS e do PSD apoiam abertamente a linha de actuação política de José Eduardo dos Santos, embora ambos tenham correntes minoritárias críticas (caso de João Soares entre os socialistas).

O PCP também tem elogiado a actuação do líder do MPLA, enquanto o CDS-PP se demarca desse apoio, mas salienta a importância do actual quadro de relações económicas entre Portugal e Angola.

Só o Bloco de Esquerda se mostra abertamente contra o poder político angolano, bem como contra o grupo de «negociantes» em Portugal que tem relações com esse mesmo poder de Luanda.

O secretário nacional do PS para as Relações Internacionais, José Lello, considera que José Eduardo dos Santos é actualmente «o motor de um processo de crescente credibilidade que Angola está a ganhar no panorama internacional».

Motor de desenvolvimento

«José Eduardo dos Santos é também o motor do processo de desenvolvimento de Angola», país que se está a reconstruir «a um ritmo verdadeiramente extraordinário», aponta o secretário nacional do PS para as Relações Internacionais.

José Lello frisa ainda que «é preciso ter bem presente que Angola tem neste momento seis milhões de alunos em todos os níveis de ensino» e destaca, por outro lado, a importância de o presidente angolano estar a chamar «para lugares de responsabilidade jovens quadros com elevado potencial para criar um novo sistema de gestão no país».

Compreender bem a realidade política

Idêntica ideia sobre o Presidente de Angola tem o ex-ministro e actual responsável pelas relações externas do PSD, José Luís Arnaut, que define José Eduardo dos Santos como «um chefe de Estado eleito democraticamente, que soube compreender bem a realidade política angolana e africana».

«José Eduardo dos Santos é um líder com um projecto e com uma nova ambição para Angola. Penso que tem conseguido colocar Angola entre os principais "players" africanos. É uma pessoa que respeito muito como político, que tem um projecto e uma ambição», afirma José Luís Arnaut.

José Luís Arnaut salienta igualmente a «excelente relação de confiança» entre os chefes de Estado de Portugal, Cavaco Silva, e de Angola.

Capacidade de liderança

«A visita de Estado que José Eduardo dos Santos fará a Portugal a partir de terça-feira será seguramente muito importante dos pontos de vista político e diplomático. Todos sabemos a crescente importância que Angola tem no contexto africano e na própria Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP)», observa o ex-ministro dos governos de Durão Barroso e de Pedro Santana Lopes.

Rui Gomes da Silva, ex-ministro do Governo de Pedro Santana Lopes, que há 20 anos juntamente com João Soares e Nogueira de Brito sobreviveu a um acidente de avião depois de visitar a Jamba, então o quartel general da UNITA, não faz elogios ao chefe de Estado angolano, mas reconhece que a liderança política neste país passa por ele.