O empresário e antigo ministro Ângelo Correia considerou esta sexta-feira, na Figueira da Foz, que o Presidente da República tem direito ao "desabafo", ao referir-se à intervenção na tomada de posse do novo primeiro-ministro, António Costa.

"É um direito constitucional que o senhor Presidente tem, ao desabafo. E o desabafo é muito útil sob o ponto de vista psicológico", disse à agência Lusa o antigo dirigente do PSD, escusando-se a esclarecer as suas palavras.

Ângelo Correia falava à margem de um colóquio sobre "A democracia, a guerra e as novas guerras", promovido pela Câmara Municipal da Figueira da Foz, no âmbito das comemorações dos 100 anos da I Guerra Mundial, em que foi um dos oradores convidados.

Na tomada de posse do governo liderado por António Costa, na quinta-feira, o Presidente da República considerou que as dúvidas suscitadas nos acordos subscritos por PS, BE, PCP e PEV quanto à "estabilidade política e à durabilidade do Governo" não foram "totalmente dissipadas".

Cavaco Silva advertiu ainda que não abdicará dos poderes que a Constituição lhe confere, dos quais só o poder de dissolução da Assembleia da República se encontra cerceado, e que tudo fará para que Portugal preserve a credibilidade e mantenha a trajetória de crescimento.

Segundo Ângelo Correia, o clima de crispação que se vive no país é "mau" e deve-se tentar ultrapassar essa circunstância, criando "condições para que as pessoas defendam o que têm de defender, sejam coerentes consigo próprios, mas permitam que os outros possam exercer a sua missão de uma maneira consistente e séria".

"Espero que o clima de crispação diminua porque não há razões para isso", sublinhou o antigo ministro da Administração Interna, cargo que ocupou entre 1982 e 1983 no Governo de Francisco Pinto Balsemão.


Sobre o Governo liderado pelo socialista António Costa, com o apoio parlamentar do Bloco de Esquerda e do PCP, Ângelo Correia considerou que não tem condições para criar um clima de estabilidade no país.

"Não, não tem, infelizmente, dada a natureza e génese dos apoios, e a insubstantividade dos denominadores comuns não permite, mas se conseguir durar algum tempo e fizer algo de positivo é bem-vindo. Não acredito muito, mas Deus queira que me engane", disse.

O empresário prevê que até à organização e apresentação do Orçamento de 2017 não existam problemas no Governo

Quanto à coligação PSD/CDS, o empresário entende que devem manter o mesmo comportamento: "votar a favor o que está de acordo e votar contra o que está em desacordo".

O antigo líder do CDS/PP e ex-ministro Freitas do Amaral, que estava inscrito no painel de convidados do colóquio, acabou por não se deslocar à Figueira da Foz.