O partido Pessoas Animais Natureza (PAN) pediu este sábado a realização de análises à água e aos alimentos para deteção da presença do herbicida glifosato, que pode ser nefasto para a saúde e para a biodiversidade.

O PAN pede explicações ao ministro da Agricultura, através da Assembleia da República, e recorda que, em junho, a Comissão Europeia vai tomar uma decisão acerca deste produto químico utilizado na produção agrícola e para erradicar ervas daninhas em jardins ou ruas das localidades, na maior parte dos concelhos portugueses.

Um comunicado da Plataforma Transgénicos Fora, hoje divulgado, insiste no alerta para este problema e salienta que "o Ministério da Agricultura tem de sair do estado de negação profunda em que se encontra e encarar finalmente o glifosato como o químico tóxico e omnipresente que de facto é".

Embora admita que, "não se conhecem ao certo quais as principais vias de exposição", a plataforma, que reúne associações da agricultura e do ambiente, salienta que "a alimentação e a água são candidatos óbvios e devem começar a ser amplamente testadas e as fontes de contaminação eliminadas".

Um trabalho da RTP, divulgado na sexta-feira, dizia que "há vários portugueses contaminados com glifosato, um herbicida que é potencialmente cancerígeno. A sua presença foi detetada com valores elevados no norte e centro do país".

O PAN concorda com a Plataforma, ao referir que, embora o Ministério da Agricultura mantenha, ao longo de sucessivos governos, um plano anual de monitorização em alimentos para testar a presença de mais de 300 resíduos de pesticidas, "o glifosato tem sido excluído das análises", tal como acontece na água para consumo humano.

"Quando questionado formalmente no início deste ano, o Ministério não apresentou quaisquer análises, nem mesmo as previstas pelas diretivas técnicas da União Europeia, afirmando que até à data tinha sido considerado desnecessário incluir este químico nas suas análises de rotina", avança a Plataforma Transgénicos Fora.

Depois do processo ter sido suspenso no início de março, o Parlamento Europeu aprovou em meados de abril, a renovação, por sete anos, em vez do prazo inicialmente proposto de 15 anos e com restrições, da comercialização do glifosato.

A resolução, com 374 votos a favor, 225 contra e 102 abstenções, pede que a utilização de glifosato se limite a "usos profissionais" e exclua parques, zonas de jogos ou jardins.

Este composto foi classificado como "potencialmente cancerígeno", pela Agência Internacional de Investigação sobre Cancro, da Organização Mundial de Saúde (OMS).

O PAN apresentou recentemente na Assembleia da Republica um projeto de resolução a recomendar ao Governo que se oponha à renovação da autorização do uso do glifosato na União Europeia e que proíba a sua utilização em Portugal, iniciativa que foi chumbada.

Insistiu e avançou com outro projeto de resolução, a 20 de abril, que recomenda ao Governo medidas para a verificação de resíduos de glifosato na água e em produtos vegetais, a ser distribuído na terça-feira, na comissão parlamentar de Agricultura e Mar.

Em 2014, a Quercus lançou uma campanha nacional a apelar aos municípios para que deixem de utilizar pesticidas para eliminar ervas daninhas em jardins e outros locais públicos, e em meados de março, só eram quatro os municípios a aderir - Braga, Castelo de Paiva, Vila Real e S.Vicente (Madeira)- e 14 as freguesias, além de alguns processos em análise.