O PSD elogiou nesta terça-feira a escolha da professora catedrática de direito Anabela Rodrigues para o cargo de ministra da Administração Interna e criticou o PS por falar num «Governo ligado à máquina».

«Este Governo continua a fazer aquilo que tem de ser feito para resolver os problemas que herdámos do PS. Eu diria até que o que estava ligado à máquina, infelizmente, era Portugal quando o PS abandonou a governação em 2011. Por isso, eu instava o PS a ter uma atitude construtiva», declarou o deputado e vice-presidente do PSD José Matos Correia aos jornalistas, na Assembleia da República.

Em nome dos sociais-democratas, Matos Correia considerou que Anabela Rodrigues «reúne todas as condições» para exercer o cargo de ministra da Administração Interna e assinalou «o facto de se tratar da primeira vez em Portugal que uma mulher é nomeada para uma pasta desta relevância».

Apontando a nova ministra como «uma das mais reputadas penalistas portuguesas», concluiu: «Reúne todas as condições para exercer este cargo».

Matos Correia criticou, em especial, o PS, que hoje através da deputada Ana Catarina Mendes sustentou que o primeiro-ministro deixou o Governo «ligado à máquina» ao não fazer uma remodelação mais alargada, na sequência da demissão de Miguel Macedo do cargo de ministro da Administração Interna.

«Eu instava o PS a ter uma atitude construtiva, uma atitude de quem quer participar na resolução dos problemas do país, que, em larga medida, foram criados pelo PS, em vez de insistir nesta espécie de títulos de imprensa em que se vieram a especializar, e que em nada contribui para a elevação que o debate politico deve ter entre nós», apelou.

CDS considera ministra uma «personalidade credível».

O líder parlamentar do CDS-PP, Nuno Magalhães, afirmou que a nova ministra da Administração Interna é uma «personalidade credível, com um curriculum sólido e uma vida académica que fala por si».

Nuno Magalhães começou por sublinhar que, «para o CDS, a política de segurança é uma política muito importante», considerando que Anabela Rodrigues é «uma personalidade credível, com um curriculum sólido, e uma vida académica que fala por si, que já desempenhou funções públicas de relevo e com relevo».

«Consideramos que a política de segurança irá ter desafios importantes nos próximos tempos e cá estaremos para, construtiva e ativamente, contribuir para que o país continue a ter uma boa política de segurança», declarou.

Confrontado com as críticas da oposição, que pediam uma remodelação mais alargada, Nuno Magalhães respondeu: «As remodelações, como tenho dito e como decorre da lei, são uma competência exclusiva do senhor primeiro-ministro».

«Havia aqui uma questão dada a circunstância específica do Ministério da Administração Interna. Tendo em atenção que se trata do Ministério responsável pela manutenção da ordem pública, compreenderão todos, acho que até o PS compreenderá, que não poderia haver um vazio legal em funções destas», acrescentou.
 
A tomada de posse da nova ministra da Administração Interna vai realizar-se quarta-feira às 12:00, no Palácio de Belém.

Antiga diretora do Centro de Estudos Judiciários, Anabela Maria Pinto de Miranda Rodrigues, independente, de 60 anos, é professora catedrática da Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra, que dirigiu entre 2011 e 2013, e vai ser a primeira mulher a estar à frente do Ministério da Administração Interna.