A eurodeputada do PS Ana Gomes afirma que a União Europeia «não pode continuar em crise interna» nem dar-se «ao luxo» de não ter política externa, quando, ao seu redor, está «tudo em chamas».

«A União Europeia (UE) não pode continuar em crise interna, não pode continuar com estas políticas desastrosas que têm enfraquecido a Europa economicamente», defendeu, quando questionada pela Lusa a propósito da cimeira de chefes de Estado e de Governo da EU realizada no sábado.

Além disso, segundo Ana Gomes, a UE «não se pode dar ao luxo de continuar a não ter política externa».

«E não tem política externa porque não tem política interna, está em desinvestimento da própria construção europeia», mercê das «políticas de austeridade cega», frisou.

A eurodeputada socialista falava à agência Lusa em Évora, à margem do Fórum Socialismo 2014 do Bloco de Esquerda (BE), no qual interveio hoje como oradora na sessão «Os submarinos de Portas não param de meter água».

A UE, insistiu, «não pode continuar a não ter política externa coerente e consequente».

«Olhamos para nosso redor e vemos tudo em chamas, a começar pelas relações Rússia/Ucrânia», realçou a eurodeputada socialista.

A título de exemplo, Ana Gomes apontou ainda os casos de países como a Síria, o Iraque, «com os jihadistas europeus lá no meio», e a Líbia, «em total colapso e com a possibilidade de se tornar numa espécie de Afeganistão à nossa porta».

Na cimeira europeia de sábado, o primeiro-ministro polaco, Donald Tusk, e a ministra dos Negócios Estrangeiros italiana, Federica Mogherini, foram designados, respetivamente, como presidente do Conselho Europeu e Alta Representante da UE para os Negócios Estrangeiros.

Em relação ao sucessor de Herman Van Rompuy na presidência do Conselho Europeu, Ana Gomes disse tratar-se de «uma nomeação que cabe ao Conselho».

No caso de Mogherini ¿ que acumula o cargo com o de vice-presidente da futura «Comissão Juncker» - falta ainda a luz verde do Parlamento Europeu.

«Vai ter que se submeter a audições no Parlamento Europeu e vamos lá a ver se o Parlamento Europeu dá o seu acordo», afirmou a eurodeputada.

Contudo, destacou que o Parlamento Europeu não vai aceitar uma comissão com apenas oito mulheres.

A propósito do caso dos submarinos, Ana Gomes insistiu que «muito está ainda por esclarecer».

Neste âmbito, sublinhou, tal como já tinha afirmado na comissão de inquérito a este caso, na quinta-feira, que «a falência do Grupo Espírito Santo» pode ser «uma grande oportunidade para esclarecer designadamente quem foram os corrompidos em Portugal».