A secretária-geral adjunta do PS, Ana Catarina Mendes, ironizou esta quarta-feira, durante um jantar com militantes do partido no Bombarral, o facto de o CDS não ter proposto a reforma da ADSE enquanto Governo e de o fazer agora, na oposição, e remeteu a discussão para setembro.

Eu vejo sempre com muita simpatia as propostas que não foram feitas no tempo em que foram Governo, mas que são feitas no tempo que em são oposição”, afirmou Ana Catarina Mendes, quando questionada sobre a proposta da líder do CDS-PP, Assunção Cristas, sobre a reforma da ADSE.

Assunção Cristas defendeu esta quarta-feira que, mais importante que a gestão da ADSE, é perceber se existem condições para que todos os beneficiários que o desejem possam aderir voluntariamente a esse sistema de saúde.

As posições do CDS-PP sobre o relatório da Comissão de reforma da ADSE são, para Ana Catarina Mendes “neste momento, apenas anúncios" sublinhando que “não há nada concretizado” e que, portanto, o PS aguardará por propostas concretas.

Teremos tempo, a partir de setembro, quando reabrirem os trabalhos parlamentares de discutirmos todas as propostas em concreto que estejam em cima da mesa”, concluiu. 

"Execução está a ser cumprida" 

Ana Catarina Mendes afirmou também, esta quarta-feira, que a execução orçamental está a ser cumprida com êxito, referindo-se aos alertas da UTAO como “fantasmas” lançados sobre a realidade económica do país.

Aquilo que nós temos estado a assistir neste momento são muitos fantasmas sobre a realidade económica do país” afirmou Ana Catarina Mendes em resposta ao alerta da Unidade Técnica de Apoio Orçamental (UTAO) sobre os riscos associados à execução orçamental da segunda metade de 2016.

A secretária-geral adjunta do PS salientou que a execução orçamental está a ser cumprida com êxito: 

A verdade é que os últimos dados da execução orçamental demonstram que a rota que nós definimos tem estado a ser cumprida e tem estado a ser cumprida com êxito”, defendeu a secretária-geral adjunta do PS, sublinhando a necessidade de o país se concentrar “no essencial”.

Ana Catarina Mendes esclareceu que as preocupações do Governo devem ser o próximo Orçamento do Estado e preparar condições que favoreçam o crescimento da economia. 

Preparar o próximo Orçamento do Estado para 2017 e preparar as condições para que a economia em Portugal possa voltar a crescer e para que o emprego possa também voltar a crescer."

Ana Catarina Mendes reagia a uma nota da UTAO que aponta “riscos” à execução orçamental do segundo semestre, depois de na primeira metade do ano tanto a execução da despesas como da receita terem ficado “aquém das previstas".

A nota, a que a Lusa teve acesso, refere que "ao nível da receita efetiva verifica-se um desvio desfavorável, sobretudo das outras receitas correntes e da receita de capital”, bem como “da receita fiscal e contributiva" e que, por outro lado, também "a despesa efetiva evidenciou um grau de execução abaixo do verificado no mesmo período de 2015, designadamente ao nível dos subsídios, investimento e aquisição de bens e serviços".

Assim, conclui a UTAO, a execução do segundo semestre deste ano "comporta riscos na medida em que será de prever a aceleração da execução de algumas despesas, nomeadamente de despesas com pessoal, aquisição de bens e serviços e investimento", num contexto em que "a atividade económica deverá evoluir a um ritmo inferior ao previsto no OE2016 [Orçamento de Estado de 2016]".

Ana Catarina Mendes falava no Bombarral, à margem do Festival do Vinho Português e Feira Nacional da Pêra Rocha, onde na noite desta quarta-feira janta com militantes socialistas. O Festival decorre na Mata Municipal até ao dia 7.