A vice-presidente da bancada socialista Ana Catarina Mendes defendeu esta quarta-feira que não há alternativa de Governo sem o PS e desafiou a restante oposição a esclarecer se quer mesmo fazer parte de uma alternativa política.

Ana Catarina Mendes, líder da federação de Setúbal do PS e diretora de campanha da candidatura vencedora de António Costa, deixou estes recados às outras forças da oposição numa intervenção em plenário, em que salientou a participação de cerca de 170 mil militantes e simpatizantes socialistas nas eleições primárias de domingo passado.

De acordo com a dirigente socialista, na sequência deste ato eleitoral interno do PS, os portugueses quiseram dizer que «só com o PS é possível liderar a construção de uma alternativa a este Governo».

Neste contexto, Ana Catarina Mendes lançou um repto às restantes forças da esquerda parlamentar, desafiando todos os que querem uma alternativa ao PSD e CDS a dizerem se a querem mesmo e se querem fazer parte da solução para os problemas criados ao país por ser governado à direita".

«Por definição, partidos diferentes não podem estar de acordo sobre tudo, mas têm de saber quais são as plataformas políticas com que concordam ou de que discordam, superando atavismos, ressacas geracionais, cosmovisões a realizar daqui a séculos ou milénios», disse, fazendo ainda mais uma advertência.

«O PS não embarca nas aventuras que acreditam que a solução para os males do país passa pela saída do euro», declarou.

Bloco de Esquerda, PCP e "Os Verdes" fizeram outros desafios à dirigente socialista.

A deputada do Bloco de Esquerda Cecília Honório pediu garantias ao PS sobre a manutenção do atual sistema eleitoral e questionou-a, tal como faria depois a deputada comunista Paula Santos, sobre a posição do PS em relação ao Tratado Orçamental da União Europeia.

"Não há um Tratado Orçamental ´soft' do PS e outro tratado da direita", frisou Cecília Honório, antes de a deputada ecologista Heloísa Apolónia ter acusado os socialistas de "enganarem" o país no processo das primárias, "fazendo passar a ideia de que os portugueses vão eleger um primeiro-ministro nas próximas eleições legislativas".

Pela parte do PSD, Hugo Soares comparou o PS a uma equipa de futebol, «cujos resultados não aparecem e decide por isso mudar de treinador».

«Só que o PS foi buscar um dos treinadores que estiveram envolvidos na sua descida de divisão», comentou o líder da JSD, numa alusão à derrota dos socialistas nas legislativas de 2011 e numa intervenção em que acusou o PS de ser «o pai da austeridade e da troika em Portugal» e de não ter aumentado as pensões mínimas.

Ana Catarina Mendes respondeu imediatamente: »Senhor deputado, a vida dos portugueses não é um jogo de futebol, e não vale a pena falar em pensões mínimas quem cortou o complemento solidário para idosos e baixou o subsídio de desemprego».

Evitando o tom de ataque político do PSD, o líder parlamentar do CDS, Nuno Magalhães, observou que Ana Catarina Mendes tinha sido "clara naquilo que o PS não iria embarcar e que não iria fazer".

«Mas ficou por saber em que matérias o PS embarca e aquilo que o PS pretende fazer e de que forma o quer fazer», sustentou Nuno Magalhães.