O secretário-geral do PCP avisou esta quarta-feira que o Governo “tem as condições e a obrigação” de travar a compra da TVI pela Altice e defendeu que a PT deve voltar ao “controlo público".

O Estado português detém os instrumentos necessários para travar a fraude em curso e reverter o processo de destruição da PT, e tem as condições e a obrigação de intervir, evitando uma aquisição da TVI por parte da Altice e as consequências para o país”, afirmou o secretário-geral comunista, Jerónimo de Sousa, na abertura de um debate de atualidade sobre a PT, na Assembleia da República.

 

Para o líder comunista, “é preciso coragem e determinação para escolher entre os interesses nacionais” e o “poder de uma multinacional”.

O PCP, afirmou, assume a “determinação e coragem” de a PT voltar ao “controlo público”.

Para o líder comunista, o Executivo “pode e deve opor-se” – à “liquidação” da empresa – e criar condições para garantir a PT “como empresa de capitais nacionais, sob controlo público.

O objetivo, disse Jerónimo de Sousa, é colocar o “setor das telecomunicações ao serviço do povo e do país”.

Para o secretário-geral comunista, o negócio da compra da Media Capital pela Altice, “a concretizar-se”, com a junção da operadora MEO, daria a esta empresa “um enorme e inadmissível” poder”.

Uma operação, concluiu, “contrária aos interesses nacionais” resulta em “maior concentração no setor, ameaça postos de trabalho e a vida democrática do país”.

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O que está a acontecer na PT, sintetizou, é “resultado de uma política de direita” de vários governos “do PS, PSD e CDS”.

Jerónimo fez o “filme” dos últimos 23 anos, em que a privatização “começou com o PSD de Cavaco Silva, terminou com a eliminação da ‘golden share’, numa das primeiras medidas tomadas pelo Governo PSD/CDS, de braço dado com a ‘troika’”.

PCP vai levar a votos regresso da PT ao Estado

O PCP vai levar a votos no Parlamento, após as férias de verão, um projeto de resolução em que defende o regresso da PT ao controlo público, anunciou esta quarta-feira o deputado comunista Bruno Dias.

O anúncio do projeto de resolução com essa recomendação ao Governo, foi anunciada pelos comunistas no final de um debate de atualidade, no parlamento, em que o líder do PCP, Jerónimo de Sousa, fez a defesa do regresso da PT ao controlo do Estado.

O projeto de resolução, que não é uma lei, mas que faz recomendações, coloca “em cima da mesa o regresso da PT ao controlo público”.

É a única maneira de garantir que a PT está ao serviço do povo e do país”, afirmou.

Dado que esta quarta-feira é o último dia de trabalhos antes das férias, e o texto será entregue esta tarde na mesa da Assembleia da República, a resolução só será discutida e votada em setembro, quando os deputados regressarem aos trabalhos parlamentares.

No debate, PSD e CDS-PP insistiram no ataque ao PS e aos seus parceiros na maioria parlamentar, PCP e BE, lembrando que quem decidiu a privatização, no ano 2000, foi um Governo socialista, então liderado por António Guterres e de que fazia parte António Costa, hoje chefe do executivo.

À esquerda, PCP e PEV recordaram, por três vezes, que foi um Governo de Cavaco Silva a dar inicio à privatização.

À direita, o deputado Pedro Mota Soares, do CDS-PP, acusou os partidos de esquerda de ajudarem a "branquear" o passado da empresa hoje detida pela Altice e lembrou os negócios com a brasileira Oi e a perda de valor da PT, que "já vem de longe".

O PSD, através de Adão Silva, foi duro nas palavras, lembrando que o responsável pela privatização "foi José Sócrates e o seu Governo" e que foram os socialistas que "usaram e abusaram da empresa" e a "desbarataram num caldo de negócios obscuros e ruinosos", numa estratégia de "marialvismo económico".

Pelo Bloco de Esquerda, o deputado José Soeiro denunciou o "comportamento abutre da Altice" e manifestou a sua solidariedade com os trabalhadores que agendaram esta semana uma greve.

O deputado do PS Pedro Coimbra afirmou que os socialistas são a favor do cumprimento das leis, nomeadamente as laborais, assim como a necessidade de as entidades reguladores cumprirem o seu papel.