O ex-secretário-geral do PS,  António José Seguro,  recordou esta quarta-feira o presidente honorário socialista Almeida Santos como um protagonista da construção da democracia, sublinhando a sua tendência para os consensos e a forma como punha "água na fervura".

"Recordo-o como um dos principais protagonistas da construção da democracia portuguesa, da sua consolidação, da edificação do Estado democrático de direito, não apenas através das leis, como já alguns salientaram, mas também através da ação e da sua palavra", afirmou António José Seguro, em declarações aos jornalistas à saída da Basílica da Estrela, em Lisboa, onde o corpo de Almeida Santos está em câmara ardente.


"Tenho também muito, muito respeito e recordo o momento em como secretário-geral do PS tive a oportunidade e a honra de o propor para presidente honorário do PS", referiu.


Salientando a forma como o antigo presidente da Assembleia da República "cultivava muito bem a língua portuguesa", escrevendo e falando "como poucos", António José Seguro destacou ainda a "ironia aveludada" e o sentido de humor de Almeida Santos.

"Foi um homem sempre com uma grande disponibilidade e dedicação para a causa pública, para a atividade pública, para a atividade partidária, punha quase sempre água na fervura, ele tinha uma tendência enorme para os consensos, para a união, para sarar feridas", acrescentou, manifestando a certeza de que "o nome de Almeida Santos vai continuar a ser ouvido, escutado e falado com respeito", cita a Lusa.

António José Seguro lembrou ainda o último almoço que teve com Almeida Santos, no qual o presidente honorário do PS contou muitas histórias "que é pena não se saberem", sublinhando que guarda esses momentos como "um sinal e um testemunho de confiança e estima pessoal”.


O corpo do ex-presidente do parlamento encontra-se em câmara ardente desde as 17:00 de terça-feira numa das capelas da Basílica da Estrela, em Lisboa, e será cremado hoje no cemitério do Alto de São João, pelas 14:00.

António Almeida Santos morreu na segunda-feira em sua casa, em Oeiras, com 89 anos, pouco antes da meia-noite, depois de se ter sentido mal após o jantar.