A Assembleia da República cumpriu, esta quarta-feira, um minuto de silêncio pela morte do antigo presidente António de Almeida Santos, depois de intervenções emocionadas proferidas por todos os grupos parlamentares.

De acordo com a Lusa, os deputados respeitaram um minuto de silêncio após a aprovação por unanimidade de um voto de pesar, perante a sua família presente nas galerias, nomeadamente a sua filha, a também deputada socialista Maria Antónia de Almeida Santos.

Comovido, o atual presidente da Assembleia, Eduardo Ferro Rodrigues, leu de pé o voto de pesar em que se descreve Almeida Santos, falecido na segunda-feira, como um "democrata exemplar, avultando tanto pelas suas qualidades intelectuais - era de uma inteligência viva -, como pelas suas qualidades humanas".

Uma das intervenções mais emocionadas por parte dos grupos parlamentares coube ao deputado do PSD Luís Marques Guedes, que afirmou que "a Assembleia da República perdeu um dos seus grandes", que descreveu como "um homem de exceção", "um cavalheiro da política" e um "homem de bem".

"Para mim, a maior marca do seu caráter era a sua dimensão humana. Na grandeza do relacionamento humano e no respeito pelo próximo. Neste capítulo, era simplesmente insuperável. À parte da sua invulgar eloquência, a sua permanente elegância era não só desarmante como infundia em todos uma enorme consideração pela sua pessoa", contou.

Pelo Governo, o secretário de Estado dos Assuntos Parlamentares, Pedro Nuno Santos, lembrou o "arquiteto da democracia", possuidor de um "coração gigante" e "um dos maiores e melhores socialistas portugueses", que sempre cultivou a concertação e diálogo políticos e que, por isso, acreditou no acordo que hoje suporta o Governo através da maioria de esquerda no parlamento.

Pelo PS, o deputado Jorge Lacão destacou as diferentes facetas da vida de António de Almeida Santos, sublinhando que como presidente da Assembleia da República merece naquela casa "um lugar de panteão".

O líder parlamentar do BE, Pedro Filipe Soares, realçou o parlamentar, o legislador e o presidente da Assembleia da República que Almeida Santos foi, começando por se referir ao antigo presidente do parlamento como "um lutador pela liberdade e pela democracia" e um dos "artífices da transição para a democracia".

O CDS-PP deixou a Pedro Mota Soares a tarefa de se referir a um presidente da Assembleia que "foi respeitado por todos" e "considerava e tratava de igual modo os diferentes grupos parlamentares", com "cordialidade democrática", mas também a "elegância" e a "fina inteligência".

O PCP, pela voz de António Filipe, recordou "uma das distintas figuras da democracia portuguesa" e um "opositor ao fascismo", a partir de Moçambique, lembrando ainda o seu papel no pós-25 de Abril, mas também a sua presidência do parlamento, que considerou "um marco": "Há um antes e um depois de Almeida Santos, não só nas condições de trabalho dos deputados, mas também no contacto com os cidadãos. O canal parlamento foi uma realização que fica associada à presidência da Assembleia da República".

Heloísa Apolónia, do Partido Ecologista "Os Verdes", fez uma intervenção também emocionada em que, entre outros aspetos, afirmou que "Almeida Santos era um homem de profundíssimos afetos" e que "os escritos que deixou foram desafios para outras gerações, de ordem ecológica e no pensamento sobre a globalização".

O deputado do PAN (Pessoas-Animais-Natureza), André Silva, lamentou o desaparecimento de um dos políticos "mais importantes do país" e "incansável lutador pela liberdade" e um ser humano que continuará a inspirar os outros "a ser e a fazer mais e melhor".