O PS manifestou-se, esta quinta-feira, de acordo genericamente com o projeto do PCP para a reposição dos quatro feriados retirados em 2013 e considerou «ilusória» a intenção da maioria PSD/CDS de os repor progressivamente a partir de 2015.

Estas posições foram assumidas pelo líder parlamentar do PS, Alberto Martins, depois de confrontado com o teor do diploma do PCP hoje em discussão no plenário da Assembleia da República e com o compromisso, noticiado pela Antena 1, da maioria governamental reavaliar esta matéria no próximo ano, admitindo uma eventual reposição gradual dos feriados.

«Este é um Governo de boas intenções e más práticas. A realidade é o empobrecimento da vida coletiva portuguesa, com mais cortes, mais custos, mais desemprego e emigração. Ao mesmo tempo há uma realidade ilusória, fictícia, fantasmática, que é dizer-se que vamos ter o melhor dos mundos, que vai haver feriados, que há 50 mil milhões de investimento e que vai haver aumento de emprego», declarou Alberto Martins.

Na perspetiva do presidente do Grupo Parlamentar do PS, a par de «uma situação recessiva geral, há um outro discurso: proclamação, palavra, palavra, palavra, vazio, vazio e mais vazio».

«O cumprimento das promessas eleitorais deste Governo é conhecido. Perguntemos aos pensionistas, aos funcionários públicos, aos trabalhadores por conta de outrem a situação em que estamos», acentuou.

Em relação ao teor do projeto do PCP, Alberto Martins colocou dúvidas sobre a intenção de os comunistas oficializarem o feriado do Carnaval.

«O PS tem uma posição genérica favorável à ideia de reposição dos feriados. Essa questão [do Carnaval] é distinta e será analisada em fase de especialidade», advogou o líder da bancada socialista.

Em relação à ideia de reposição dos quatro feriados, Alberto Martins salientou que foram suspensos «dois muito fortes, o 5 de Outubro e o 1.º de Dezembro, momentos singulares referenciais da nossa identidade histórica e nacional».

«Os feriados são momentos de celebração coletiva», sustentou, antes de rejeitar o argumento de que são prejudiciais a um aumento da produtividade do país.

«Essa crítica não tem qualquer consistência científica, mas insere-se numa ideia muito geral do Governo de desnaturar muitas das dimensões da nossa cultura e identidade com proclamações retóricas que não têm sustentação. Pelo contrário, dois desses feriados têm a ver com o relacionamento do Estado Português com a Santa Sé e resultam de uma convenção internacional, a Concordata; os outros dois são datas da nossa memória e História coletiva», alegou ainda o presidente do Grupo Parlamentar do PS.

Em relação aos dois feriados civis retirados em 2013, Alberto Martins defendeu a tese de que o «1.º de Dezembro de 1640 é uma data singular de reafirmação da independência nacional e o 5 de Outubro de 1910 é a fundação da República, no fundo a fundação do Estado moderno».