O líder parlamentar do PS, Alberto Martins, acusou o primeiro-ministro de não trazer «nenhuma esperança» para os portugueses e falar dos cidadãos «como se estivesse a fazer de caixa registadora da troika».

«O primeiro-ministro comportou-se como gestor do programa da troika, um defensor da troika que não se preocupa sequer com as vítimas da política da troika. Fala de Portugal e dos portugueses como se estivesse a fazer de caixa registadora da troika», declarou Alberto Martins em declarações aos jornalistas no parlamento, no final de uma entrevista conjunta de Pedro Passos Coelho à TVI e TSF.

Para o PS, a entrevista foi um «vazio» onde «nada de concreto» sobre o futuro foi descrito.

«Nada de concreto, nenhuma medida concreta, nenhuma medida construtiva para o futuro, nenhuma esperança para os portugueses. Nada», sublinhou Alberto Martins.

O parlamentar, que acusou Passos Coelho também de parecer um «diretor-geral da troika», contestou ainda a posição do primeiro-ministro sobre um programa cautelar no final do memorando, dizendo que «só» para o chefe de Governo «é que sair da crise e do programa de ajustamento recorrendo a um programa cautelar é um sucesso».

«Pouco falou de desemprego»

O Bloco de Esquerda criticou o primeiro-ministro por «passar à margem» da «dureza» dos dias dos portugueses e por não responder às pessoas que precisam de «esperança».

«A realidade da vida das pessoas, a dureza dos dias, passou à margem desta entrevista, das respostas do primeiro-ministro. Pouco falou de desemprego, não deu nenhuma resposta às pessoas que necessitavam de alguma esperança, antes o contrário», acusou o líder parlamentar bloquista Pedro Filipe Soares.

O BE lamentou também que o primeiro-ministro recorra a «uma desculpa que não é nova», a de que o programa da troika «estava mal calibrado», para justificar a manutenção de medidas de austeridade.

«Após as eleições legislativas de 2009», lembrou Pedro Filipe Soares, o PSD e Passos Coelho disseram que o «programa da troika era o programa do PSD», pelo que tal desculpa é agora apenas uma «desculpa de mau pagador».

Governar «para os mercados»

O PCP acusou o primeiro-ministro de governar para os mercados e interesses financeiros e não para os portugueses, comprometendo o futuro das novas gerações.

«Este Governo não governa para os portugueses, governa para os mercados e os interesses financeiros», declarou o líder parlamentar comunista João Oliveira.

Para o PCP, este Governo «está a saquear o país e quem trabalha», acrescentando que a «desconsideração» do povo «tem de ter uma resposta à altura».

«O povo português tem que arrancar este Governo, fazer com que este Governo seja demitido e convocadas novas eleições. O Governo que vá governar os interesses dos especuladores para outro lado porque neste país este Governo já não tem espaço», defendeu João Oliveira.