O PS considerou hoje que a ideia de «milagre económico do Governo» foi destruída pelo recente relatório do Fundo Monetário Internacional (FMI) e exigiu explicações ao primeiro-ministro sobre cortes de três mil milhões de euros em 2015.

Estas posições foram transmitidas pelo líder da bancada socialista, Alberto Martins, em conferência de imprensa, no final da reunião semanal do Grupo Parlamentar do PS.

Alberto Martins pegou no teor do relatório divulgado na quarta-feira pelo FMI sobre a atual conjuntura da economia portuguesa para fazer duras críticas ao Governo, desafiando o primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, «a explicar quais os cortes que vão ser aplicados».

«O FMI dá notícia de que está constituído um grupo de trabalho (como o PS tinha anunciado) que tem como objetivo cortes nas pensões e salários, reduzir a situação dos funcionários públicos enquanto rendimentos do trabalho. Esta situação é grave», já que «aponta para três mil milhões de cortes no próximo ano», referiu o líder da bancada socialista.

Para o membro do Secretariado Nacional do PS, a perspetiva de cortes na ordem dos três mil milhões de euros «acentuará a recessão, a degradação social e a vida de inúmeros portugueses».

«Como vemos, a ideia de milagre económico foi completamente destruída e mostra a realidade crua da situação portuguesa», sustentou Alberto Martins.

Interrogado sobre a decisão do Tribunal Constitucional de declarar a inconstitucionalidade da proposta de referendo (aprovada pelo PSD) para um referendo sobre adoção e coadoção por casais homossexuais, Alberto Martins reiterou a ideia transmitida na quarta-feira ao fim da tarde pelo deputado socialista Pedro Delgado Alves.

«O Tribunal Constitucional tomou a decisão natural. Tive a ocasião de dizer que considerava ilegal e inconstitucional a proposta de referendo - e o Tribunal Constitucional deu razão à nossa perspetiva. Mas os grandes problemas dos portugueses não passam por aqui, sendo antes os do desemprego, ausência de crescimento e de perspetivas futuras. A sociedade portuguesa está preocupada com outras coisas», acrescentou, numa alusão à questão do referendo sobre adoção e coadoção por casais do mesmo sexo.