O presidente do governo madeirense desvalorizou hoje o processo disciplinar anunciado aos deputados do PSD que votaram contra o Orçamento de Estado, afirmando que a «gota de água» foi a recusa das medidas relacionadas com a zona franca da região.

«O povo português tem de perceber que há uma ética na Madeira. Os deputados representam a vontade do povo, o Orçamento do Estado não corresponde à vontade do povo madeirense, é uma política da qual discordamos e, por outro lado, a votação final não correspondeu ao sentido das negociações que haviam sido feitas entre o Estado e Região Autónoma da Madeira», argumentou Jardim.


Na opinião do líder regional, «quando isto sucede, não é escandaloso, nem muito menos exótico, os deputados votarem contra aquilo que não serve ao seu eleitorado».

Jardim reagia assim ao anúncio efetuado terça-feira pelo porta-voz do PSD, Marco António Costa, de que os quatro deputados eleitos pela Madeira na Assembleia da República serão objeto de um processo disciplinar desencadeado pela participação ao Conselho de Jurisdição por terem votado contra o Orçamento de Estado para 2015.

O chefe do executivo insular apontou que a «gota de água» foi não terem sido acolhidas as medidas relacionadas com a zona franca da Madeira.

«O que é mais grave é a oposição feita pelo secretário de Estado do CDS dos Assuntos Fiscais a uma solução que visava no Orçamento acautelar uma Zona Franca que é necessária a internacionalização da economia portuguesa e à existência das receitas fiscais em Portugal», observou o líder regional.

Jardim mencionou que «havia outras coias que estavam negociadas e também não foram cumpridas, mas essa foi a gota de água».

O governante afirmou que «a luta pela Zona Franca da Madeira foi uma luta nacional que envolveu todas as altas entidades do Estado, a começar pelo Senhor Presidente da Republica, que foi sempre de uma grande solidariedade para com a Madeira nesta luta e não pode ver um senhor secretário de Estado vir estragar isto tudo».


O líder madeirense desvalorizou as «eventuais represálias» pela posição adotada pelos deputados sociais-democratas madeirense, declarando que «aguardar a decisão» do processo disciplinar «já era dar importância a essa gente».

Mas, ressalvou que como está de saída da liderança do PSD/M, «a nova direção regional é que deve saber o que deve fazer», declarando: «Acho que o PSD da Madeira não deve importância a quem não a merece».

«Quem é o dr. Montenegro face ao currículo dos quatro deputados?», argumentou Jardim, considerando que «há uma mediocratização da política e essas coisas das vingançazinhas é próprio dos medíocres», sustentou.


Evocando a ideologia de Sá Carneiro, Jardim defendeu a necessidade de mudança no partido.

«Está tudo subvertido. O regime está podre, é preciso qualquer coisa de novo», salientou, concluindo que «o país está metido num sarilho, caiu num rotativismo, temos este PS e esta coligação Coelho/Portas. Precisa aparecer uma alternativa».