O presidente do Governo Regional da Madeira, Alberto João Jardim, considera que o 25 de Abril «não foi concretizado e foi subvertido», defendendo ser necessário uma nova revolução.

«O 25 de Abril vive-se, não está realizado, não foi concretizado e foi subvertido», declarou Jardim à chegada à Assembleia Legislativa da Madeira antes da sessão solene comemorativa dos 40 anos da revolução, que acontece pela primeira vez desde que em 2006 o PSD da região recusou assinalar a efeméride no parlamento insular.

O líder madeirense salientou que esta não é a primeira vez que o 25 de Abril se comemora nesta região, recordando que «sempre foi tradição a Madeira integrar-se nas celebrações nacionais». «Este ano resolveu-se fazer uma sessão solene e a Assembleia optou por isso, não optou por uma sessão parlamentar», sustentou, citado pela Lusa.

Jardim criticou as «políticas erradas da União Europeia», considerando que «estamos também a assistir a uma regressão social depois do 25 de Abril».

Questionado se é necessária uma nova revolução em Portugal, o chefe do executivo madeirense respondeu: «Sim e sempre disse que estou ao dispor para um 26 de abril.»

O governante salientou que tem sido um «oposicionista ao regime constitucional, porque é uma Constituição não referendada, que é um cocktail de liberalismo, marxismo e corporativismo e, portanto, não podia funcionar», frisando que esta «nega ao povo o poder soberano de poder referendá-la».

Sobre o facto de nesta comemoração dos 40 anos de Abril na região não terem sido permitidas intervenções políticas por parte dos partidos com assento na Assembleia Legislativa da Madeira, Jardim argumentou que esta «não é uma sessão parlamentar, é uma sessão solene».

«Nos parlamentos falam os partidos ou quem os partidos convidam. Não é tradição no parlamento português e na maior parte dos parlamentos do mundo outras pessoas que não os parlamentares ou os membros do governo, quando para tal solicitados, ou o Presidente da República falarem», observou, considerando que dar a palavra a partidos e entidades neste tipo de atos «era voltar outra vez a uma espécie daquela pretensão comunista de poder popular em que se mostrava a democracia parlamentar com resquícios de totalitarismos».

Jardim diz estar «solidário» com o modelo escolhido pela presidência do parlamento regional «até porque [a Madeira] tem um parlamento que tem figuras que não têm qualidade para estar num parlamento, embora o povo os tenha escolhido quando o parlamento se desprestigia paga este preço».

«O povo também se engana e pode ter-se enganado e não merece ser representado por certa gente», conclui.