O presidente do governo regional da Madeira, Alberto João Jardim, afirmou esta quarta-feira no Porto que a visita do primeiro-ministro, Passos Coelho, àquela ilha lhe «é indiferente».

«O primeiro-ministro é livre de se deslocar como qualquer pessoa no território nacional e ir onde lhe apetecer e eu não tenho nada a ver com isso», afirmou Alberto João no início de um debate sobre regionalização, que decorre no Porto, no mesmo dia em que Passos Coelho visita a Madeira.

Alberto João Jardim referiu que «não houve nenhum contacto» oficial com o Governo Regional da Madeira nem com o parlamento regional sobre a visita de Passos Coelho a uma «empresa privada» e «hostil ao PSD».

«Não é uma visita institucional à Madeira, é uma ida do primeiro-ministro a uma festa de uma empresa privada», afirmou o dirigente, assinalando que, «por coincidência, essa empresa privada pertence a um grupo económico estrangeiro com forte poder antes do 25 de abril e que é, como toda a gente sabe, um grupo hostil ao PSD» e a si próprio.

Questionado sobre se a visita de Passos Coelho e a falta de comunicação o incomodaram respondeu: «Não fiquei agastado, até porque não me interessa (...) é-me indiferente», relata a Lusa.

«A pessoa só fica agastada quando a coisa lhe interessa. Não me interessa, não tenho que ficar agastado», acrescentou.

Instado a comentar o protesto de algumas dezenas de pessoas contra Passos Coelho na Madeira, Alberto João Jardim foi pronto a dizer: «Não tenho nada com isso, estou farto de pagar as culpas dos outros».

O presidente do Governo da Madeira aproveitou para defender a instituição de um modelo federalista de regionalização em Portugal com a criação de sete regiões autónomas.

«Eu sou um federalista», frisou Alberto João Jardim durante um debate sobre a regionalização no qual defendeu a criação de sete regiões autónomas.

Jardim disse, contudo, não acreditar que a regionalização possa avançar sem uma revisão constitucional.

«Com os partidos que temos, não vamos a parte nenhuma, a começar pelo meu», atirou o governante que, lembrando o ‘Podemos’ espanhol, considerou que «vai ter que suceder alguma coisa em Portugal», como «aparecer qualquer coisa fora do espetro radical de esquerda ou da direita».