O ex-presidente do Governo Regional da Madeira Alberto João Jardim considerou que a solução encontrada pelo Governo para o Banif foi a "correta", embora reconheça que irá onerar os contribuintes.

"Tenho que felicitar o senhor primeiro-ministro pela solução encontrada, subscrevo a solução encontrada pelo Governo, obviamente que onera os contribuintes, mas uma solução que penalizasse a economia do país, que criasse uma forte destabilização no sistema financeiro (…) isso iria criar uma imagem de Portugal terrível e, talvez se não fosse bem resolvido como foi agora, iria prejudicar um eventual investimento em Portugal nos próximos 10 anos, acho que foi a solução correta", afirmou Alberto João Jardim.


Questionado se os problemas não poderiam ter sido já resolvidos no tempo do Governo de Passos Coelho, o antigo presidente do Governo Regional da Madeira, que falava aos jornalistas no Palácio de Belém, depois de ter sido condecorado com a Grã-Cruz da Ordem Militar de Cristo, disse não saber o que se passou antes.

"Esta manhã estava a ouvir os noticiários e vi que haveria um inquérito parlamentar para apurar o que se passou antes, eu não sei o que se passou antes, como sabe as minhas relações pessoais com o anterior chefe do Governo não eram as melhores, nós vivíamos ele em Saturno e eu em Marte", gracejou.

Interrogado se as relações difíceis com Passos Coelho poderão ter condicionado o destino do Banif, Alberto João Jardim disse apenas que deixa o parlamento apurar essa questão.

Alberto João Jardim acrescentou ainda que os portugueses há muito tempo que não entendem o que se está a passar em Portugal, mas que a culpa também é deles próprios "porque não se mexem".

O Governo e o Banco de Portugal decidiram no domingo a venda da atividade do Banif e da maior parte dos seus ativos e passivos ao Banco Santander Totta por 150 milhões de euros, anunciou o Banco de Portugal em comunicado.

A alienação foi tomada "no contexto de uma medida de resolução" pelas "imposições das instituições europeias e inviabilização da venda voluntária do Banif", segundo o comunicado.

A operação "envolve um apoio público estimado em 2.255 milhões de euros que visam cobrir contingências futuras, dos quais 489 milhões de euros pelo Fundo de Resolução e 1.766 milhões diretamente do Estado", disse o banco central, garantindo que esta solução "é a que melhor protege a estabilidade do sistema financeiro português".