O presidente do Governo Regional e do PSD-Madeira, Alberto João Jardim, defendeu esta terça-feira que os partidos precisam de financiamento público para não caírem na mão de interesses privados.

Alberto João Jardim, à margem do cantar dos Reis realizado por um conjunto de alunos do Hospício D. Amélia na Quinta Vigia, comentou à comunicação social a alteração da posição do Grupo Parlamentar do PSD que esta terça-feira, depois de ter votado contra há cerca de um mês, contribuiu para a aprovação, por unanimidade, da redução das subvenções aos partidos.

A Assembleia Legislativa da Madeira  aprovou esta terça-feira, por unanimidade, um projeto de decreto legislativo regional do CDS de redução, em 50%, das transferências do parlamento para os grupos parlamentares  passando de 5,4 milhões de euros para 2,8 milhões de euros.

Alberto João Jardim, depois de salientar «nada ter com isso a partir de agora» por não ser membro do Grupo Parlamentar e não integrar a nova direção do partido, alertou, porém, para a necessidade dos partidos serem financiados para desenvolverem as suas competências e atividades no âmbito do regime democrático.

«O que a experiência me diz é o seguinte - referiu - os partidos precisam de ser financiados publicamente, cortar por cortar é pura demagogia, querer democracia e, depois, pôr os partidos na mão do financiamento privado isso é subverter a partidocracia mas, como neste momento, vai um grande entusiasmo em Portugal pelo neocapitalismo liberal, é natural também que se queira entregar os partidos à dependência privada, portanto, eu sou contra isso».


Alberto João Jardim diz assumir aquilo que foi do «seu tempo» e da «sua responsabilidade» e, nessa medida, sublinhou ser contra «mexidas» no chamado «jackpot».

«Eu sou contra que se mexa no ‘jackpot’ [designação por que ficou conhecida a subvenção aos grupos parlamentares] e fica claro porque os partidos não podem cair nas mãos do capitalismo privado», declarou.


O líder madeirense reconheceu, no entanto, que os valores do «jackpot» eram «outra questão».

«Essa é outra questão, estas coisas não se resolvem atirando percentagens para o ar, é preciso que os partidos se sentem, façam as suas contas e vejam o que podem cortar, não é, assim, à balda, um diz 40%, outro diz 50% e não sabem sequer do que estão falando», concluiu.