Alberto João Jardim disse nesta sexta-feira que a História «repete-se» e que o caminho do arquipélago é para «uma maior autonomia», com «toques federais». O presidente do Governo Regional da Madeira fez estas observações após uma homenagem à «Revolução da Madeira de 1931» que durou cerca de um mês e colocou em embaraços o regime de Oliveira Salazar.

«Nós temos, outra vez, os poderes capitalistas de antigamente e alguns colaboracionistas impensáveis há pouco tempo, a tentar restaurar os antigos poderes da Madeira, temos outra vez a Maçonaria com força, como tinha nessa altura, no final da primeira República e temos a cumplicidade destes poderes com o poder central, em Lisboa, que está numa posição claramente feroz em relação à autonomia política da Madeira», disse, citado pela Lusa.

Jardim acrescenta que «o caminho é para a frente e o caminho é para uma muito maior autonomia». «Cada ser humano tem direito à liberdade, as comunidades têm direito a escolher o seu futuro e, portanto, hoje, que se celebra a Revolução da Madeira, é um dia para refletir sobre uma coisa evidente - não é com a cumplicidade, com os antigos senhorios da ilha, não é com as sociedades secretas que trouxeram o mundo ocidental a esta crise financeira, é, avançando nos poderes de a Madeira ser cada vez mais autónoma, que está o futuro», afirma, defendendo «uma autonomia com toques federais» e salientando que a atual autonomia «não é a que quer o parlamento da Madeira».

«A autonomia, ou é autonomia, ou não é autonomia, ou corresponde à vontade dos povos, ou não corresponde à vontade dos povos. Esta autonomia não é a vontade do povo madeirense. Se têm dúvidas, façamos um referendo», insistiu.

De caminho, o líder regional defendeu que «Portugal precisa de uma nova revolução»: «A revolução tranquila faz-se através de uma revisão Constitucional e faz-se através de cada deputado que for chamado a participar na revisão Constitucional, esquecendo o partido a que pertence, esquecendo quaisquer interesses pessoais que tenha e pensando no país que tem que defender.»

A «Revolução da Madeira», nome por que ficou conhecida a sublevação de 4 de abril de 1931, foi desencadeada por militares e civis deportados contra o regime de Oliveira Salazar e durou cerca de um mês, período durante o qual foi constituída a Junta Revolucionária, presidida pelo general Sousa Dias.