Alberto João Jardim mantém as dúvidas sobre se avança ou não com uma candidatura às presidenciais. Em entrevista ao programa “Política Mesmo”, da TVI24, Jardim admite que está num processo de recolha de assinaturas, mas assegura que ainda não decidiu e que o programa que apresentou é apenas “uma proposta para o país”, com a qual pretende “acabar com os tabus e discutir as coisas que devem ser discutidas”.
 

“O sistema que eu proponho, presidencialista, vai dar uma maior estabilidade ao país.”

 

“A minha intenção não é ser candidato. É por o país a falar.”

 
Alberto João Jardim assume uma posição crítica em relação ao atual Governo e à atuação de Pedro Passos Coelho.
 
“Espero que haja uma mudança muito importante neste país, porque ninguém pode continuar nesta austeridade. O país precisa de relançar a economia, ter mais moeda em circulação e mais emprego”, sublinhou.
 

“É preciso que o Zé Pagode não se deixe enganar.”

 

“Não conto com o apoio do meu partido”

 
Se decidir avançar, Jardim não tem ilusões e não conta com o apoio do PSD: “Não conto com o apoio do meu partido. Se eu avançar é contra o sistema e o PSD é a favor do sistema”.
 

“O PSD podia ter dado sinais de rebentar com as vacas sagradas do sistema.”

 
O porquê de Jardim não contar com o apoio do PSD. Clique na imagem para ver o vídeo

Jardim não esconde a desilusão em relação ao PSD e ao atual primeiro-ministro e é perentório ao repetir: “Estou desapaixonado pelo meu partido. Estou desapaixonado pelo meu partido”.
 
A relação com Pedro Passos Coelho não é das melhores e não é de agora.  “Já vem de trás. Do tempo da JSD. É uma questão pessoal. O verdadeiro estadista não confunde relações pessoais com relações de Estado. E cada um que conclua o que eu quero dizer”, adianta.
 

“Rapazito que chegou a primeiro-ministro”

 
Na entrevista, recorda conversas antigas que correram menos bem: “O primeiro-ministro, do alto das suas grandezas, disse-me a mim que era desprestigiante juntar-se aos países mais fracos. E ficou ali agarrado aos alemães. Diz que o desemprego diminuiu… com a percentagem de portugueses que saiu do país também eu diminuía o desemprego”.
 

“Em 40 anos, ajudei a fundar o PSD, pequei na região mais atrasada do país e fiz dela a segunda região mais desenvolvida do país… você acha que, na altura em que um tipo se vai embora, um rapazito que chegou a primeiro-ministro pode atirar-me assim para o caixote do lixo e desconsiderar-me? É a tal história: um estadista não confunde relações pessoais com relações de Estado…”

 
Jardim fala das difíceis relações com Passos Coelho. Clique na imagem para ver o vídeo

Mas no PSD e no atual Governo, ainda há quem mereça elogios de João Jardim: “O doutor Gaspar foi tão crucificado, mas a sorte deste primeiro-ministro foi ter o doutor Gaspar. (…) Perdemos um excelente ministro da Economia, temos um excelente ministro da Saúde.”
 

“Nunca ouvi falar do doutor Sampaio da Nóvoa”

 
Apesar de ainda não ter decidido se avança ou não com a candidatura presidencial, Jardim não poupa críticas a um dos candidatos e seus apoiantes. “O doutor Sampaio da Nóvoa você vê ali os tipos que foram do regime, todos à volta dele. Eu preferi por na Internet algo que é diferente: centralizar o país, tornar o sistema presidencialista”, começa.
 
“[Sampaio da Nóvoa] É um homem do regime. Veja que os ícones do regime estavam todos à volta dele. Tipo “vamos lá segurar este homem para que isto não mude”. Mas eu não vou discutir o professor Sampaio da Nóvoa, aliás não conheço o professor Sampaio da Nóvoa de parte nenhuma. Nunca tinha ouvido falar dele”, sublinhou.
 

Os elogios ao “senhor Silva”

 
E se antigos presidentes que agora apoiam Sampaio da Nóvoa merecem duras críticas de Jardim, Cavaco Silva, a quem um dia chamou simplesmente “senhor Silva”, é alvo de rasgados elogios.
 

“Quando lhe chamei senhor silva foi por ter ajudado a enterrar o Governo de Santana Lopes, sendo um governo do PSD, em função da sua estratégia presidencial. Foi isso que me fez ficar fulo com ele.”

 

“Nas minhas relações difíceis com o atual Governo, encontrei no professor Cavaco Silva grande compreensão e grande ajuda. Considero que foi um grande Presidente da República. Soube interpretar o que competia a um poder moderador”, elogiou.

 
 
“Gostei de Cavaco Silva enquanto primeiro-ministro, um dos mais brilhantes primeiros-ministros que tivemos, embora com algumas reservas face às regiões autónomas. Não gostei de Cavaco Silva quando traçou o seu caminho presidencial e devo muito a Cavaco Silva enquanto Presidente da República atual”, resumiu.
 

Portugal, um país infeliz

 
A Grécia foi também assunto abordado durante a entrevista ao “Política Mesmo” e Jardim não poupa elogios ao Syriza. “Sabe que eu tenho uma grande simpatia pelo Syriza, porque o Syriza colocou os europeus a pensar”, confessou.

A admiração de Jardim pelo Syriza. Clique na imagem para ver o vídeo
 
Portugal não é a Grécia. Nisso Jardim e Passos concordam e o antigo presidente do Governo Regional ainda acrescenta um “Graças a Deus”. Não é a Grécia, mas nem por isso é mais feliz:
 

“Portugal não é muito feliz há muitos anos. Portugal criou uma espécie de medo.”

 
“Este país está nesta apagada e vil tristeza. No dia em que definir as verdadeiras competências do Estado e das regiões, vai ter um país feliz.“

A solução de Jardim para devolver a felicidade a Portugal. Clique na imagem para ver o vídeo