O deputado do Bloco de Esquerda Pedro Filipe Soares acusou esta terça-feira o Governo de «esconder informação» dos portugueses e exigiu que Pedro Passos Coelho venha esclarecer se Portugal precisará de um programa de apoio para regressar aos mercados.

Em declarações à agência Lusa, Pedro Filipe Soares disse que o primeiro-ministro deve vir esclarecer o que está de facto a ser negociado entre Portugal e as instâncias europeias, «dizer o que escondeu e assumir que o Governo não criou nenhuma solução e que há mais austeridade através do programa cautelar».

O presidente do BCE, Mario Draghi, afirmou domingo em Bruxelas que Portugal precisará de um programa de apoio para regressar aos mercados, depois da conclusão do atual programa de assistência financeira em junho de 2014, mas que este ainda não está definido.

«As palavras de Mario Draghi não são consonantes com as palavras de Passos Coelho nem de Paulo Portas. O primeiro tinha dito que o programa só seria discutido no final de janeiro e Portas dizia que a saída de Portugal do memorando da troika seria uma saída à irlandesa, sem qualquer programa cautelar», declarou Pedro Filipe Soares.

No entender do deputado bloquista, Mario Draghi veio dizer o contrário, ou seja, que não só está decidido que Portugal terá um programa cautelar como só faltarão alguns pormenores para «limar os contornos» desse programa.

«O Governo falhou na sua previsão e a austeridade do memorando passará depois de junho a austeridade do programa cautelar. Neste processo, um programa cautelar tem condicionalidades, tem obrigações de metas orçamentais de défices e dívidas, tem avaliações», salientou, acrescentando que o Executivo dever explicar quais são as condições exigidas a Portugal e aos portugueses.

Na semana passada, Pedro Passos Coelho disse que só a partir de 27 de janeiro é que Portugal começaria a trabalhar no sentido de saber se precisa ou não de um programa.

Na segunda-feira, o Governo anunciou que a décima avaliação regular da troika ao programa de resgate de Portugal «foi positiva» e reiterou a intenção do executivo de «terminar o programa na data prevista».

«A décima avaliação com a troika decorreu entre os dias 4 e 16 de dezembro e foi positiva. Portugal já superou 10 avaliações num total de 12. Faltam apenas duas. A nossa intenção é terminar o programa na data prevista, estamos a pouco mais de seis meses de poder terminar o programa na data prevista», afirmou o vice-primeiro-ministro, Paulo Portas, em conferência de imprensa.