O ministro da Defesa, José Pedro Aguiar-Branco, fez hoje votos de que o PS encontre rapidamente a sua estabilidade interna, para poder dar «melhores contributos» para a estabilidade nacional.

Em declarações aos jornalistas em Viseu, onde participou nas atividades do Dia da Defesa Nacional, Aguiar-Branco disse desejar «que o PS encontre a sua estabilidade interna tão rápido quanto seja possível, para que isso seja um fator importante para a componente do interesse nacional».

«O PS é um partido importante do nosso sistema democrático, é o maior partido da oposição e, portanto, tão rápido quanto possível, encontrando a sua estabilidade interna, dará melhor contributo para a estabilidade nacional», acrescentou.

A proposta do secretário-geral do PS, António José Seguro, para a realização de eleições primárias abertas a simpatizantes, tendo em vista a escolha do candidato socialista a primeiro-ministro, foi aprovada na quinta-feira por «larga maioria».

Esta proposta obteve apenas seis votos contra e duas abstenções, fixando a data de 28 de setembro para a realização deste ato eleitoral.

O resultado da votação da proposta apresentada por António José Seguro na reunião da Comissão Política Nacional do PS foi transmitido à agência Lusa por fonte oficial da direção dos socialistas.

Decisões do TC têm de ser claras para não criarem instabilidade

José Pedro Aguiar-Branco também defendeu hoje que as decisões do Tribunal Constitucional têm de ser «suficientemente claras» para que não se tornem num «fator de instabilidade» do país.

«O que nós desejamos é que haja uma clarificação que permita haver uma linha coerente no que é preciso fazer para futuro, porque nós precisamos de ter uma linha de atuação coerente», frisou.

Aguiar-Branco considerou que não pode haver «instabilidade de três em três meses, de cada vez que haja uma decisão sobre aquilo que são as opções que legitimamente são tomadas pelo governo e pela Assembleia da República no exercício das suas competências».

«É isso que é pretendido, num clima de respeito institucional. Como é óbvio, nunca se deixará de cumprir as decisões do Tribunal Constitucional, mas é preciso que elas sejam suficientemente claras para que não sejam fator de instabilidade», acrescentou.

O ministro garantiu que o governo «está empenhado em que, ao fim destes três anos de grande sacrifício que os portugueses fizeram para sair da bancarrota», sejam criadas «condições sustentáveis para o equilíbrio da conta pública, para que o crescimento que está a acontecer seja cada vez maior e progressivo e para que a taxa de desemprego continue a baixar».

«É esse o cenário que hoje temos, que é completamente diferente daquele que tínhamos há três anos», referiu, lembrando que se discutia «se Portugal ia ou não cair na bancarrota» ou sair do euro.

Atualmente, discutem-se «questões relacionadas com o crescimento, com a baixa taxa de desemprego e com a diminuição progressiva da taxa de juro», que permite que a dívida seja «cada vez mais sustentável».

«É nisso que estamos empenhados e todos os esforços que o governo tem feito, mesmo dos esclarecimentos que foram solicitados, é para que não haja instabilidade», assegurou.

Na sua opinião, o governo é atualmente «um fator de estabilidade», mantendo-se coeso «para que os portugueses possam continuar a readquirir a confiança que tinham perdido há três anos».

Defesa nacional é importante para defesa dos valores de uma sociedade civilizada

O ministro da Defesa Nacional, José Pedro Aguiar-Branco, considerou hoje ser «de uma grande arrogância» achar que Portugal não tem de participar na defesa dos valores da liberdade e da harmonia entre os povos.

Ao intervir em Viseu numa cerimónia no âmbito do Dia da Defesa Nacional, o ministro contou ser frequentemente questionado sobre para que servem as Forças Armadas se Portugal não está em guerra.