O ministro da Defesa, José Pedro Aguiar-Branco, reconheceu esta segunda-feira que o nível de participação das mulheres nas Forças Armadas ainda não atingiu o desejável e que ainda «há muito para fazer».

«Há 3.500 mulheres nas Forças Armadas e o nível de participação nas forças destacadas tem sido de 7 a 10 %. Há muito ainda para fazer no sentido de proporcionarmos que haja uma possibilidade das mulheres poderem ter o seu nível de participação ainda mais satisfatório», disse José Pedro Aguiar-Branco, na cerimónia de apresentação do II Plano de Ação das Nações Unidas sobre as mulheres na Defesa.


Contudo, acrescentou, apesar destes números e do setor da Defesa ser «facilmente rotulável como sendo de uma afirmação masculina mais forte do que no feminino», no terreno essa realidade é menos evidente do que aquilo que é a perceção que é dada pelo exterior.

Numa intervenção centrada na questão da igualdade entre homens e mulheres, o ministro da Defesa são se limitou a fazer a análise da questão no setor que tutela, admitindo que a sociedade portuguesa ainda «não se estruturou e organizou» para que «cuidando da diferença que há de género, permita que as regras deem a igualdade para existir o mesmo acesso às oportunidades».

«Tem havido evolução ao longo do tempo, a nossa sociedade vai dando mais oportunidades, mas acho que ainda hoje para se obter a mesma coisa, para se chegar ao mesmo espaço de intervenção, ainda hoje esse esforço e essa exigência ainda é em benefício do homem e não em benefício da mulher. Quando é para fazer algo que o homem já faz, a mulher tem de fazer isso e mais qualquer coisa», disse.


Por isso, há que combater o «preconceito clandestino» de dar uma efetiva igualdade de oportunidades entre homens e mulheres, defendeu.

José Pedro Aguiar-Branco recusou ainda a ideia que a existência de planos de ação sobre esta questão «reduz a dignidade da mulher», porque a realidade é que se que tem de «dar um empurrão».

Na cerimónia esteve ainda presente a secretária de Estado da Igualdade, Teresa Morais, que confessou que apesar do caminho que já tem sido feito, pessoalmente ainda não está satisfeita com a realidade existente em termos de igualdade de género.

«Quem acredita na igualdade entre homens e mulheres só ficará satisfeito com a paridade», vincou.

A elaboração do II Plano Nacional de Ação para a Implementação da resolução do Conselho de Segurança das Nações Unidas sobre mulheres, paz e segurança está previsto no V Plano Nacional para a Igualdade de Género, Cidadania e Não-discriminação 2014-2017.

A resolução das Nações Unidas alerta para «o impacto desigual que os conflitos armados têm sobre mulheres e homens, apelando a uma maior participação das mulheres e à plena integração da dimensão da igualdade de género na prevenção, gestão e resolução de conflitos armados, não só em países em conflito armado, mas também em países em situação de paz».