O ministro da Defesa Nacional, que se encontra em visita de trabalho a Angola, escusou-se esta quinta-feira a comentar a crise política em Portugal e disse apenas que o «interesse nacional» guia a ação do governo.

«Em concreto qualquer comentário sobre essa matéria é o senhor primeiro-ministro que a faz. Uma coisa tenho a certeza: o que conduz sempre o Governo no seu todo e o primeiro-ministro em particular é o interesse nacional», disse.

O «interesse nacional», considerou ainda o ministro, tem sido nestes dois anos de Governo liderado por Pedro passos Coelho «o que o faz estar em conjunto com os portugueses para a saída da crise».

José Pedro Aguiar-Branco falava à imprensa antes de proferir no Centro Cultural Português uma conferência sobre «O Atlântico na Cooperação Portugal-Angola».

Instado ainda a comentar o facto do Presidente Cavaco Silva não se ter referido a uma eventual posse de novos membros do Governo, no âmbito da solução apresentada por Passos Coelho e Paulo Portas, Aguiar-Branco reafirmou caber ao primeiro-ministro falar sobre o assunto.

«Relativamente a tudo o que se está a passar em Lisboa, é o senhor primeiro-ministro que em nome do Governo fala. Aqui (em Angola) eu estou a cumprir uma agenda de Estado. Estou a cumprir o interesse do Estado português, dos portugueses em geral, para que esta agenda, esta reunião, este encontro com as autoridades angolanas possa ajudar o Governo a ultrapassar esta crise», respondeu.

O Presidente da República propôs na quarta-feira, numa comunicação ao país, um «compromisso de salvação nacional» entre PSD, PS e CDS que permita cumprir o programa de ajuda externa e que esse acordo preveja eleições antecipadas a partir de junho de 2014.

Cavaco Silva - que já hoje se reuniu em Belém com os líderes do PSD, Pedro Passos Coelho, do CDS-PP, Paulo Portas, e do PS, António José Seguro - notou ainda que o atual Governo está em «plenitude de funções» considerando «extremamente negativo para o interesse nacional» a realização imediata de eleições legislativas antecipadas.

A declaração do Chefe de Estado surgiu depois de ter ouvido todos os partidos com representação parlamentar e os parceiros sociais e na sequência do pedido de demissão apresentado pelo ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Portas, no dia 02 de julho.