O ministro da Defesa, José Pedro Aguiar-Branco, defendeu este domingo que o PS deveria manifestar uma «disponibilidade inequívoca» para consensos em torno da saída do programa de ajustamento português, independentemente de essa convergência vir a ser exigida pelos credores.

Para o governante, que hoje visitou empresas portuguesas que participam no Dubai Air Show - a maior feira aeronáutica do Médio Oriente, que hoje abriu portas -, «quanto maior for o consenso político e a estabilidade política, menos gravosa será a ida de Portugal aos mercados».

«O interesse nacional está muito para lá de eleições, de lugares (...) e quanto maior for essa perceção que os mercados têm quanto ao consenso e à estabilidade política que existe em Portugal, maior confiança terão em financiar a nossa economia. E, se essa confiança for elevada, menor será a taxa de juro que Portugal terá de pagar por esse financiamento que irá buscar aos mercados», sustentou.

Para Aguiar-Branco, o «interesse nacional» reclama, por isso, uma manifestação de «disponibilidade inequívoca» por parte do PS.

«Quanto maior for o consenso político e a estabilidade política, menos gravosa será a ida de Portugal aos mercados (...) a taxa de juro será tanto menor quanto maior confiança terão quem nos empresta. E por isso, a forma como o PS responder a esta necessidade de consenso será muito importante para a forma menos gravosa de Portugal financiar a sua economia», frisou.

A forma como Portugal for capaz de projetar uma imagem de confiança será importante, no entender do governante, para que o país possa «ter a mesma saída que a Irlanda teve».

Em 2014 haverá «projetos concretos» com Emirados na área da Defesa

Aguiar-Branco manifestou-se hoje convicto que 2014 será um ano de lançamento de «projetos concretos» de parceria entre empresas portuguesas na área da Defesa e congéneres dos Emirados Árabes Unidos (EAU).

A convicção do ministro foi expressa após encontros com as autoridades dos EAU em que participaram também representantes de empresas portuguesas do setor aeronáutico.

«O facto de ter sido recebido ao mais alto nível (...) significa que há um depósito de confiança em Portugal, nos políticos e nos empresários portugueses, no povo português, que faz com que a porta esteja aberta (...) Estou certo que no ano de 2014 vamos conseguir essa forma de as empresas se encontrarem. Estou confiante que vai haver projetos concretos nesta área», defendeu.

O governante destacou a «forma muito amistosa» e o «conhecimento da realidade portuguesa» revelado pelas autoridades emiratis - Aguiar-Branco foi recebido pelo príncipe herdeiro Mohamed Bin Rachid al-Maktoum.

De resto, apontou, o Médio Oriente deve ser olhado pelas empresas portuguesas na área da Defesa como «um espaço de desenvolvimento» para a exportação e para a construção de parcerias, nomeadamente do fundo soberano de Abu Dhabi Mubadala.

«Aqui podemos encontrar abertura à capacidade tecnológica que a engenharia portuguesa já tem, nomeadamente na área aeronáutica, mas também tivemos oportunidade de tratar de outras áreas que esse fundo estará disponível para avaliar e nós propusemos que no próximo ano se possa organizar uma jornada empresarial entre empresas portuguesas e este fundo, de modo a avaliar projetos concretos que possam ser desenvolvidos em conjunto. Estou confiante que vão nascer boas oportunidades para as empresas portuguesas», reforçou.