O primeiro-ministro já decidiu e optou pelo que já tinha defendido: candidatar Lisboa para acolher a Agência Europeia do Medicamento (EMA). O argumento? Por “ser fator de preferência a existência de Escola Europeia, que só Lisboa poderá vir a ter” e pela "conveniência da proximidade do Infarmed". 

Numa carta dirigida ao presidente da Câmara do Porto na quinta-feira, a que a Lusa teve acesso, o primeiro-ministro explicou-se.

Sou o primeiro a lamentar não ter sido possível candidatar o Porto porque muito gostaria de também, por esta via, contribuir para reforçar a crescente internacionalização da cidade”.

A EMA, recorde-se, deve abandonar Londres com a saída do Reino Unido da União Europeia.

Costa respondeu assim à carta que recebeu em maio do autarca do Porto, Rui Moreira, quando este quis “mostrar o interesse” em acolher a sede da EMA na Invicta. Na missiva, Costa diz que estudou “a possibilidade de candidatar as cidades de Lisboa e Porto” à EMA, tendo duas razões conduzido “à opção por Lisboa”.

O primeiro-ministro argumenta ainda com o potencial de "sinergia da preexistência de outras agências europeias” em Lisboa. Estas outras agências instaladas na capital permitiriam “alcançar o número mínimo de funcionários das instituições europeias necessárias para a instalação da Escola”.

Entretanto, hoje mesmo, a Câmara do Porto aprovou por unanimidade criar um grupo de trabalho para candidatar a cidade a acolher a Agência Europeia do Medicamento (EMA), mas apenas se o Governo garantir “rever” a decisão de candidatar Lisboa.

A deliberação foi tomada na reunião camarária pública do executivo, com base numa proposta do PS, à qual, após amplo debate, o presidente da câmara, Rui Moreira, sugeriu acrescentar a ressalva de que o Porto preparará a candidatura “no prazo máximo de 30 dias”, apenas “desde que seja garantido pelo Governo rever a decisão tomada”.

Inicialmente, Rui Moreira recusou “fazer de Calimero” e votar a favor da proposta do PS, referindo uma carta que recebeu do primeiro-ministro na segunda-feira e na qual, segundo o autarca, “o grande argumento para candidatar Lisboa é uma Escola Europeia que não existe em Lisboa”.